Por Mário Plaka (*)
A pergunta que precisa ser feita não é se a candidatura de Flávio Bolsonaro é boa ou ruim.
A pergunta correta é: a quem ela está incomodando? Porque, em política, quando uma candidatura incomoda muita gente poderosa ao mesmo tempo, ela não é irrelevante. Ela é ameaça.
A candidatura de Flávio Bolsonaro incomoda, primeiro, o sistema político acomodado, aquele que já tinha dividido o poder antes mesmo da eleição. Incomoda os que já estavam discutindo cargos, acordos, dosimetria, anistias seletivas e narrativas prontas. Incomoda quem queria uma eleição morna, previsível, sem sobressaltos.
Incomoda também a chamada “direita confortável”, aquela que vive de discurso, mas treme quando o jogo fica pesado. A direita que gosta de palco, mas não gosta de confronto real. Essa gente não quer bode na sala. Quer silêncio, café morno e acordo nos bastidores.
Quem perde com a candidatura de Flávio Bolsonaro? Perdem os arquitetos do controle político. Perdem os que acreditavam que o debate estava encerrado. Perdem os que já tinham escolhido quem manda, quem cala e quem obedece. Perdem aqueles que dependem de um eleitor conservador passivo, domesticado e emocionalmente cansado.
E quem ganha? Ganha o eleitor que entende que política é correlação de forças. Ganha o campo conservador que percebeu que, sem pressão, não há negociação. Ganha quem sabe que eleição não é culto religioso, é disputa de poder.
A candidatura de Flávio Bolsonaro recoloca o bode na sala. Obriga todos a se moverem. Obriga o sistema a olhar para um problema que ele fingia não existir: o conservadorismo real ainda tem base, voz e poder de mobilização.
E se Flávio Bolsonaro vencer as eleições para presidente? O que podemos esperar não é milagre. Quem promete milagre mente. O que podemos esperar é ruptura de conforto. Conflito institucional legítimo. Pressão sobre estruturas que hoje operam sem contraponto. Um governo que, gostem ou não, nasce incomodando.
Mas aqui entra um ponto que ninguém quer discutir — e talvez o mais importante de todos.
Presidente não governa sozinho. E o Brasil continua fingindo que só o Executivo importa.
Onde está o debate sério sobre a responsabilidade dos deputados federais e senadores?
São eles que aprovam leis. São eles que travam ou liberam pautas. São eles que sustentam ou sabotam qualquer governo.
O eleitor brasileiro continua votando para o Congresso como quem escolhe número de rifa. Depois reclama do presidente, como se ele governasse com varinha mágica. Sem Congresso conservador, não existe governo conservador. Existe frustração programada.
E mais: qual é a importância de eleger governadores de direita conservadora?
Total. Absoluta. Estratégica. Governadores controlam as polícias, influenciam o Judiciário local, comandam orçamentos gigantescos e moldam a narrativa regional. Um país sem governadores alinhados é um país sabotado por dentro, todos os dias.
Por isso, a candidatura de Flávio Bolsonaro não deve ser analisada com paixão cega nem com rejeição automática. Ela deve ser analisada como o que é: uma peça estratégica que desmonta o jogo combinado.
Quem não entendeu isso ainda está discutindo o tamanho da casa, enquanto o bode já está na sala.
E na política, quem não aguenta o barulho… acaba varrido junto com a sujeira.























