A indústria brasileira do aço mantém postura diplomática diante da recente decisão dos Estados Unidos de manter a tarifa de 25% sobre as importações do produto brasileiro. A medida, reinstaurada pelo presidente Donald Trump em seu segundo mandato no início de 2025, eliminou o acordo de cotas que vigorava desde 2018.
O Instituto Aço Brasil divulgou nota na quinta-feira (3) esclarecendo que o pronunciamento de Trump sobre reciprocidade tarifária não impõe novas taxas além dos 25% já aplicados desde fevereiro. O acordo anterior permitia a importação do aço brasileiro sem tarifas, respeitando limites anuais de 3,5 milhões de toneladas de produtos semiacabados e 687 mil toneladas de laminados.
A questão afeta diretamente as siderúrgicas americanas, que em 2024 demandaram aproximadamente 6 milhões de toneladas de placas de aço, sendo 3,4 milhões fornecidas pelo Brasil. Sergio Leite de Andrade, presidente do Conselho Diretor do Aço Brasil e vice-presidente de Assuntos Estratégicos da Usiminas, alerta para as consequências dessas barreiras comerciais, especialmente quanto ao redirecionamento do comércio global.
O cenário preocupa ainda mais devido ao crescente volume de importações de aço chinês no mercado brasileiro. Segundo Sergio, as tarifas impostas globalmente pelo governo Trump podem intensificar o desvio do comércio mundial para o Brasil, exigindo medidas urgentes de defesa comercial no país.
O setor siderúrgico brasileiro defende a retomada do mecanismo de cotas, argumentando que a interrupção desse canal comercial prejudica ambos os países e compromete a cadeia produtiva bilateral. A indústria mantém esperança na via diplomática como principal caminho para solucionar o impasse e restabelecer o fluxo comercial entre as nações.