A Polícia Federal (PF) revelou um complexo esquema de corrupção envolvendo R$ 111 milhões em contratos de material escolar com prefeituras paulistas. A operação Coffee Break, deflagrada nesta quarta-feira (12), expôs conexões que alcançam o círculo familiar presidencial.
Carla Ariane Trindade, ex-nora do presidente Lula, e Kalil Bitar, ex-sócio de Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), aparecem como figuras centrais na investigação. Segundo a PF, ambos atuavam para favorecer o empresário André Gonçalves Mariano, preso durante a operação, em negociações com órgãos públicos.
A investigação aponta que Trindade prometia acessos privilegiados em Brasília e teve viagens custeadas por Mariano. Já Bitar teria sido fundamental para o sucesso empresarial da Life Tecnologia Educacional, empresa de Mariano, fortalecendo sua influência na capital federal.
O esquema envolvia quatro prefeituras do interior de São Paulo e resultou na prisão de cinco pessoas, incluindo o vice-prefeito de Hortolândia e seu secretário de Educação. A PF descobriu que o grupo usava o código “café” para se referir a propinas, que eram distribuídas através de operações com doleiros.
Documentos revelam que mais de R$ 10,3 milhões foram sacados em espécie entre janeiro de 2022 e junho de 2023, supostamente destinados ao pagamento de propinas. O dinheiro era movimentado através de empresas de fachada e repassado a servidores públicos e lobistas.
A juíza Raquel Coelho Dal Rio Silveira, responsável por autorizar a operação, destacou em sua decisão que Trindade aparentemente exercia influência sobre decisões do Governo Federal, especialmente no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), além de diversos municípios paulistas.
As investigações apontam um elaborado sistema de distribuição de recursos públicos através de contratos superfaturados, com participação de autoridades municipais, empresários e operadores financeiros. O caso segue sob investigação para identificar outros possíveis envolvidos e ramificações do esquema.























