Apesar da mobilização promovida pela coordenação de campanha do Partido dos Trabalhadores (PT), o comício do presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizado na Avenida Selim de Sales, em Ipatinga, reuniu um público estimado em cerca de 500 pessoas na tarde desta sexta-feira (16). A estrutura contou com a chegada de mais de 20 ônibus com caravanas de municípios da Região Metropolitana e do Colar Metropolitano do Vale do Aço — um dos veículos, inclusive, se envolveu em um acidente de trânsito durante o trajeto. Imagens que circularam nas redes sociais evidenciaram a modesta concentração de apoiadores no local.
Acompanhado da primeira-dama Janja da Silva e do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o candidato à reeleição aproveitou o palanque para fazer duras críticas à TV Globo, afirmando que a emissora “perdeu a confiança” de sua equipe e passou a ficar sob suspeição.
A reação do petista ocorreu após a direção do grupo de comunicação ter recebido seu adversário na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL), para um almoço no dia de sua sabatina. Em sua fala, Lula associou o episódio a um suposto descontentamento do conglomerado de mídia com bandeiras do governo, como o combate às apostas ilegais, o debate sobre a redução da jornada de trabalho 6×1 e a proposta de passe livre no transporte coletivo aos finais de semana. O presidente também mencionou a prisão do empresário Daniel Vorcaro, investigado no caso do Banco Master, embora não tenha apresentado elementos que correlacionem tais pautas ao encontro da emissora com o concorrente.
Mobilização da oposição
Em contraste com a movimentação do ato petista, apoiadores de Flávio Bolsonaro ocuparam as ruas do município em atos de grande porte. Realizadas entre a noite de sexta-feira e a manhã de sábado, carreatas mobilizaram milhares de automóveis, caminhões, motocicletas, tratores e bicicletas motorizadas pelas principais vias da cidade.

Número superior a 1.000 veículos, entre automóveis, caminhões, tratores motocicletas e até bicicletas motorizadas, na concentração para a carreata de bolsonaristas que percorreu as principais vias de Ipatinga manhã deste sábado, em Ipatinga (Foto: Cid Miranda)
Mudança no mapa político local
Com relevância econômica e um polo industrial forjado na tradição metalúrgica, Ipatinga figura entre os dez maiores colégios eleitorais de Minas Gerais e representou, historicamente, um dos principais redutos do PT no estado. O partido governou a cidade por 20 anos em cinco mandatos a partir de 1989. Contudo, o perfil político local passou por transformações profundas nos últimos ciclos eleitorais.
No primeiro turno do atual pleito, o município consolidou uma guinada conservadora contundente: Ipatinga registrou a vantagem mais elástica do campo bolsonarista entre as maiores cidades mineiras. Flávio Bolsonaro obteve 61,11% dos votos válidos no município, frente a 31,47% de Lula — uma distância de quase trinta pontos percentuais consolidada em pleno berço operário do estado.























