Um levantamento científico identificou um exemplar de jequitibá-rosa com 264 anos de idade na Reserva Particular do Patrimônio Natural Fazenda Macedônia, situada no município mineiro de Ipaba. A datação do espécime mais antigo, que começou a se desenvolver em 1760, resultou de uma parceria entre a Cenibra, o Laboratório de Dendrocronologia da Universidade Federal de Lavras e a Smart Timber.
O estudo analisou o conjunto florestal da reserva ecológica no momento em que a área protegida completa 32 anos de existência. O espaço abriga exemplares de grande porte de jequitibá-rosa, espécie vegetal ameaçada de extinção, com alturas que chegam a 50 metros e idades estimadas entre 104 e 254 anos.
A análise da idade das árvores por meio da dendrocronologia permite acessar registros históricos do ecossistema local. As informações preservadas nos anéis de crescimento revelam dados cruciais sobre as condições climáticas e o desenvolvimento da vegetação ao longo dos séculos.
De acordo com a equipe ambiental envolvida no projeto, a permanência dessas árvores de grande porte comprova a eficácia das medidas de preservação contínua. Além de resguardar espécies vulneráveis à perda de habitat e ao corte histórico por valor econômico, a manutenção dessas áreas naturais viabiliza a recuperação de arquivos biológicos fundamentais para orientar o manejo sustentável atual.
Jequitibá deu origem à pesquisa
O estudo nasceu da descoberta de um jequitibá de 50 metros no interior da RPPN. A partir desse registro, a equipe ambiental da Cenibra fez novas buscas utilizando o LiDAR, tecnologia que usa sensores a laser para medir a altura da vegetação. Os dados apontaram diversos pontos com mais de 40 metros. Foram selecionados cinco exemplares de porte excepcional, com alturas entre 32 e 50 metros, dentre eles, uma árvore caída naturalmente no meio da floresta.
De um disco serrado do tronco da árvore caída, utilizando a dendrocronologia – ciência que estuda os anéis de crescimento das árvores – pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e a Smart Timber identificaram crescimento entre 1760 e 2023, o equivalente a 264 anos. Essa árvore contribuiu para referenciar o estudo das demais. “Os anéis de crescimento funcionam como um registro natural do tempo. É como se cada árvore guardasse, em sua madeira, um diário da história da floresta”, explica Ana Carolina Maioli Campos Barbosa, doutora em engenharia florestal e professora da UFLA.
Já das árvores vivas, foi utilizada outra técnica para acessar os anéis de crescimento sem prejudicar o indivíduo pesquisado. Para Ana Carolina, o resultado vai além da curiosidade: “quando descobrimos que uma árvore levou séculos para alcançar seu tamanho, entendemos também que sua perda não pode ser reparada em poucas décadas”, destaca a doutora.
O especialista ambiental, D’Lano Sathler, destaca que na prática, os dados ajudam a avaliar a integridade ecológica da área e orientam decisões de manejo, monitoramento e restauração florestal. “Passamos a ter evidências científicas mais concretas sobre a história e a dinâmica da floresta que estamos conservando”, afirma D’Lano.























