Durante ato de campanha realizado em Juazeiro, na Bahia, nesta terça-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que sua presença no debate da TV Globo depende da abertura dos sigilos do senador Flávio Bolsonaro. O petista afirmou que só comparecerá ao encontro televisivo se o adversário político apresentar formalmente um documento que autorize a medida.
A manifestação ocorreu diante de eleitores baianos e pernambucanos, reunidos na reta final para a votação do segundo turno, marcada para o próximo domingo (25). A exigência surgiu em meio a ações no Tribunal Superior Eleitoral, onde a equipe jurídica de Lula protocolou uma petição para disponibilizar os próprios dados bancários, fiscais e telefônicos, bem como os de parentes, abrangendo os últimos oito anos, desde que haja reciprocidade por parte do parlamentar do PL.
O embate a respeito das informações financeiras intensificou-se após o confronto direto entre os postulantes no debate promovido pela TV Bandeirantes, no último domingo (18). Naquela ocasião, ambos trocaram questionamentos sobre integridade pública: Flávio apontou suspeitas voltadas a familiares do presidente, enquanto Lula cobrou esclarecimentos a respeito do patrimônio imobiliário do senador e de negociações atribuídas a ele envolvendo recursos para a realização de um filme sobre Jair Bolsonaro.
Ao discursar no município baiano, Lula não detalhou quais modalidades de sigilo deveriam ser abertas pelo concorrente, nem especificou a via formal para a entrega do documento. O público presente no evento acompanhou a fala com gritos cobrando a exibição dos registros por parte de Flávio.
No mesmo evento, o presidente incentivou os militantes a buscarem votos de abstenções do primeiro turno e reforçou o apelo ao eleitorado com mais de 70 anos, cuja participação é facultativa. Além do foco nas disputas eleitorais, Lula abordou iniciativas de sua administração, mencionando projetos voltados à expansão estudantil no ensino superior e proposições para a gratuidade do transporte coletivo em dias de fim de semana.
Flávio dobra a aposta
Em resposta ao desafio apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro protocolou uma petição no Tribunal Superior Eleitoral nesta terça-feira (21). No documento, o parlamentar afirma aceitar a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, mas estabelece como condição que o petista também amplie a divulgação de informações financeiras, institucionais e de pessoas próximas.
A iniciativa do candidato do PL contesta a postura adotada por Lula na véspera, quando o atual mandatário ofereceu o acesso aos próprios dados e de familiares referentes aos últimos oito anos sob a exigência de reciprocidade. A defesa de Flávio classificou a proposta do petista como uma medida superficial e sem efeito prático, alegando que eventuais transações suspeitas poderiam estar vinculadas a terceiros e empresas, e não registradas diretamente em contas pessoais.
Diante disso, a equipe jurídica do senador requereu que a Corte eleitoral intime formalmente o adversário para que se posicione sobre a ampliação das checagens. Caso a resposta seja negativa, a campanha de Flávio solicita que a recusa seja registrada nos autos processuais, defendendo que o cenário eleitoral demanda transparência irrestrita.
Entre as contrapartidas listadas na peça jurídica enviada ao relator no TSE, ministro André Mendonça, está a liberação de dados de ex-assessores diretos do presidente, como o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro. O texto demanda também a abertura de contas de pessoas jurídicas ligadas a parentes de Lula, incluindo empresas de Fábio Luís Lula da Silva, outros filhos do petista, o Instituto Lula e a empresa L.I.L.S. Palestras desde 2003.
As exigências estendem-se ainda à gestão pública federal. O pedido inclui o detalhamento das despesas com cartões corporativos da Presidência desde o início de 2023, agendas institucionais da primeira-dama Janja, registros de entrada no Palácio do Planalto relativos ao banqueiro Daniel Vorcaro e esclarecimentos sobre a atuação da lobista Roberta Luchsinger, além do sigilo de Frei Chico, irmão de Lula.
Na mesma manifestação, Flávio negou qualquer participação societária ou condição de beneficiário na Alcazar Holdings, empresa de propriedade do advogado Willer Tomaz, argumentando que não dispõe de dados financeiros da instituição. O senador, que teve o nome cadastrado como usuário principal de uma conta ligada à firma, enfrenta inquéritos no Supremo Tribunal Federal sobre relações com o advogado e negociações de recursos para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.























