Investigações da Polícia Federal revelaram a existência de uma minuta de contrato avaliada em R$ 626 milhões para o fornecimento de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. O documento, elaborado no âmbito da empresa World Cannabis, previa a venda sem licitação de 1,2 milhão de frascos de remédios e foi articulado pela lobista Roberta Luchsinger com o ex-chefe de gabinete presidencial Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, além do empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”.
O projeto de fornecimento abrangia 36 tipos distintos de compostos medicinais e foi concebido originalmente por Antunes, empresário que já vinha sendo investigado pela corporação policial em apurações sobre supostos desvios previdenciários. Registros da apuração indicam que o empresário realizou viagens ao exterior, incluindo Estados Unidos e Colômbia, para prospectar fornecedores da matéria-prima.
Diálogos interceptados mostram que os envolvidos debatiam enquadrar a aquisição dentro das hipóteses de dispensa de licitação previstas na legislação, sob a justificativa de atendimento emergencial. Mensagens e depoimentos colhidos no inquérito apontam ainda a menção frequente à proximidade entre a intermediadora dos contatos e Fábio Luís Lula da Silva durante as tratativas comerciais.
Em manifestação oficial, o Ministério da Saúde declarou que nunca realizou a compra desse tipo de substância e ressaltou que o produto não integra a lista de itens incorporados à rede pública do Sistema Único de Saúde (SUS). Por sua vez, a defesa de Fábio Luís informou que se posicionará formalmente nos autos do processo após ter acesso completo aos dados das quebras de sigilo, enquanto interlocutores do gabinete governamental afirmaram que a proposta não avançou internamente.























