Por Mário Plaka (*)
Enquanto a criminalidade avança pelas estradas rurais, produtores trabalham sem proteção, comunidades vivem com medo, e o poder público ainda demora a enxergar que segurança também se planta no campo.
Ontem, estive ouvindo algumas pessoas sobre dois temas fundamentais para qualquer sociedade: mobilidade e segurança pública. Coincidentemente, também chegaram ao grupo Ouvidoria Popular duas notícias que chamaram minha atenção e reforçaram a necessidade de uma reflexão mais profunda sobre a realidade vivida pelos produtores rurais.
A primeira notícia tratava do assassinato de uma influenciadora e produtora rural dentro da propriedade onde vivia. Um crime que evidencia a vulnerabilidade de muitas famílias que moram e trabalham no campo.
A segunda mostrava uma operação policial na qual foram localizados foragidos da Justiça escondidos em uma propriedade rural, apresentando-se como trabalhadores. Casos como esse demonstram que áreas rurais, muitas vezes isoladas e sem monitoramento, acabam sendo utilizadas tanto por criminosos em fuga quanto por organizações envolvidas em diversas práticas ilegais.
Esses fatos nos levam a uma reflexão importante. Quando falamos de mobilidade, não devemos pensar apenas nas ruas e avenidas das cidades. A mobilidade também envolve as estradas vicinais, os acessos às comunidades rurais e as vias que ligam o campo aos centros urbanos, fundamentais para a circulação de pessoas, mercadorias e serviços.
Recebi recentemente relatos de moradores de uma comunidade rural que reclamam do estreitamento de uma via de acesso, o que dificulta a passagem de veículos e aumenta os riscos para quem precisa utilizar a estrada diariamente. Além de prejudicar a mobilidade, situações como essa contribuem para a insegurança e dificultam até mesmo a atuação das forças de emergência e segurança.
Recentemente, conversei com alguns pré-candidatos a deputado estadual e a deputado federal aqui no Vale do Aço. Fiz perguntas simples sobre mobilidade, transporte público, saúde e segurança pública. Infelizmente, muitos demonstraram pouco preparo para responder a questões básicas relacionadas a esses temas. Quem pretende representar a população precisa conhecer os problemas reais enfrentados pelas comunidades e apresentar propostas concretas para solucioná-los.
Por isso, deixo uma sugestão aos prefeitos, vereadores, deputados e demais agentes públicos: ampliar os sistemas de monitoramento por câmeras nas principais vias de acesso às comunidades rurais.
A instalação estratégica desses equipamentos poderia contribuir significativamente para a identificação de veículos suspeitos, auxiliar investigações, combater furtos e roubos, facilitar a localização de criminosos e aumentar a sensação de segurança dos moradores. Equipamentos modernos permitem a leitura automática de placas e podem auxiliar as forças de segurança na identificação de pessoas procuradas pela Justiça.
Também é fundamental que esses sistemas recebam manutenção permanente. Uma câmera sem funcionamento representa uma oportunidade para que a criminalidade aja sem ser percebida.
O produtor rural gera riqueza, produz alimentos, movimenta a economia e paga seus impostos. No entanto, muitas vezes encontra-se desamparado diante da criminalidade. Não são poucos os casos de furtos, roubos de animais, invasões de propriedades e outras ocorrências que acabam desestimulando quem vive e trabalha no campo.
Precisamos olhar para essa realidade com mais atenção. A segurança pública não pode ser um privilégio dos centros urbanos. O campo também precisa de proteção, investimento e presença efetiva do poder público.























