O governo dos Estados Unidos determinou a saída imediata de todos os cidadãos norte-americanos que se encontram no Irã, poucas horas antes de uma reunião considerada decisiva entre autoridades dos dois países para discutir um possível novo acordo nuclear. O alerta foi divulgado pela embaixada americana e chama atenção pelo tom direto e pela ausência de qualquer garantia de resgate oficial.
Segundo o comunicado, os norte-americanos devem deixar o território iraniano por meios próprios, preferencialmente por rotas terrestres que passam pela Turquia ou pela Armênia. A representação diplomática informou que não tem condições de prestar assistência em uma eventual operação de evacuação, diante do agravamento do cenário de segurança no país.
A orientação ocorre na véspera do encontro marcado para esta sexta-feira (6), em Omã, que reunirá Jared Kushner, genro e conselheiro do ex-presidente Donald Trump, e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi. A reunião é vista como a primeira tentativa formal de reaproximação entre Washington e Teerã desde o conflito registrado em junho do ano passado.
De acordo com a embaixada, há indícios de que o espaço aéreo e os sistemas de telecomunicações no Irã possam sofrer restrições ou bloqueios, o que reforçou a recomendação para que os cidadãos deixem o país imediatamente. Para aqueles que não conseguirem sair a tempo, o governo americano orienta o armazenamento de água, alimentos e medicamentos, além da busca por locais seguros para abrigo.
O encontro em Omã ocorre após a chamada “Guerra de 12 Dias”, quando ataques aéreos conduzidos por forças americanas atingiram instalações nucleares iranianas, elevando significativamente a tensão entre os dois países. Desde então, as relações permanecem marcadas por desconfiança e ameaças mútuas.
Nos bastidores da negociação, o impasse já se apresenta. O ex-presidente Donald Trump condiciona qualquer avanço ao encerramento do enriquecimento de urânio pelo Irã e ao fim do apoio financeiro a grupos armados aliados ao regime iraniano. Teerã, por sua vez, considera as exigências uma violação de sua soberania e afirma que responderá militarmente contra alvos americanos e israelenses caso seja alvo de novos ataques.
O alerta emitido pela embaixada reforça o clima de incerteza que antecede a reunião e evidencia o grau de tensão diplomática que ainda cerca as tratativas entre os dois países.























