A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) apresentou um recurso administrativo ao Vaticano para tentar reverter a excomunhão de seus integrantes, decretada após a ordenação de novos bispos sem o consentimento do papa Leão XIV. A medida, anunciada pela congregação ultraconservadora conhecida como “lefebvriana”, busca suspender os efeitos do decreto emitido pela Santa Sé no início de julho.
O recurso formalizado pela fraternidade tem como objetivo resguardar o direito de retificação assegurado pela Igreja Católica a qualquer pessoa ou grupo que se sinta prejudicado por uma decisão administrativa. Em nota oficial divulgada em seu portal eletrônico, a instituição declarou que o pedido foi encaminhado às autoridades competentes de Roma e pediu o apoio dos fiéis por meio de orações.
A punição máxima da Igreja havia sido confirmada no dia 2 de julho pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, o órgão doutrinário do Vaticano. A sanção foi aplicada após a congregação consagrar quatro novos bispos — Pascal Schreiber, Michael Goldade, Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier — em uma cerimônia realizada em Écône, na Suíça, sem a necessária autorização pontifícia.
Além dos novos prelados, a excomunhão também atingiu o consagrador principal, Alfonso de Galarreta, e o bispo Bernard Fellay, por participarem diretamente do ato considerado cismático e apoiarem a decisão de forma pública. O Vaticano também alertou os fiéis de que aqueles que participarem das atividades litúrgicas promovidas pela FSSPX correm o risco de sofrer a mesma penalidade. O superior-geral do grupo, Davide Pagliarani, classificou as punições aplicadas pela Santa Sé como inválidas e injustas.
Ordem polêmica
Fundada em 1970 na cidade de Friburgo, na Suíça, pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, a fraternidade surgiu como um movimento de resistência às reformas implementadas pelo Concílio Vaticano II, que os tradicionalistas alegam ter rompido com a tradição histórica e doutrinária da Igreja Católica. Esta não é a primeira crise enfrentada pelo grupo: em 1988, o papa João Paulo II já havia excomungado o fundador e quatro bispos ordenados por ele, punição que foi revogada pelo papa Bento XVI em 2009.
Nos últimos anos, no entanto, as tensões voltaram a se elevar, intensificadas por novas restrições impostas por Roma à celebração da missa tridentina (celebrada em latim). Atualmente, a Fraternidade São Pio X conta com uma estrutura global robusta, englobando mais de 1,5 mil membros consagrados — entre eles 733 sacerdotes, 250 freiras, 145 religiosos e 264 seminaristas — além de aproximadamente 500 mil fiéis distribuídos por mais de 60 países.























