O ministro da Defesa do Irã, Aziz Nasirzadeh, afirmou nesta quinta-feira (15) que o governo pode não conseguir impedir que a instabilidade vivida no país se estenda para além de suas fronteiras, em meio a uma onda de protestos que já dura quase três semanas. A declaração elevou a preocupação entre países da região, diante do risco de impactos na segurança regional.
Em pronunciamento transmitido pela agência estatal IRIB, Nasirzadeh disse que as forças de segurança irão empregar “todo o seu poder” para conter o que classificou como ações de “terroristas armados”, mas reconheceu que a disseminação da insegurança para áreas vizinhas pode escapar ao controle das autoridades iranianas.
Segundo o ministro, a diversidade social e étnica do Irã tem sido explorada por diferentes grupos de oposição, incluindo movimentos que defendem a separação de partes do território da República Islâmica. Ele afirmou que essas organizações estariam incentivando manifestações contra o regime, ampliando o alcance e a intensidade dos distúrbios.
Nasirzadeh também advertiu que os responsáveis pela organização dos protestos estão sendo monitorados. “Aqueles que planejaram e executaram os distúrbios devem saber que estamos de olho neles”, declarou, sem detalhar possíveis medidas ou ações futuras.
O ministro acusou ainda parte dos manifestantes de atacar bases militares com o objetivo de obter armas para uso nos confrontos, além de promover agressões a locais religiosos e culturais. Segundo ele, comerciantes também teriam sido ameaçados. As alegações, contudo, não foram acompanhadas de provas. Para o governo, essas ações configuram ameaças diretas à segurança nacional, e não protestos de caráter social ou econômico.
As declarações ocorrem um dia após o braço de inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) divulgar um comunicado sobre operações contra o que descreveu como “terroristas armados” e distúrbios com apoio estrangeiro. No texto, a IRGC afirmou estar combatendo um suposto “projeto de agitação americano-sionista”, conforme divulgado pela IRIB.
Também na quarta-feira (14), o ministro da Justiça do Irã, Amir Hossein Rahimi, adotou um discurso mais duro ao afirmar que, desde 8 de janeiro, os acontecimentos no país deixaram de ser simples protestos e passaram a representar uma “guerra interna”. Segundo ele, todas as pessoas detidas nesse período seriam consideradas culpadas por estarem presentes nos locais das manifestações.























