O Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, reforça a necessidade de prevenção contínua contra problemas circulatórios, que seguem entre as maiores causas de morte no planeta em 2026. A data destaca a importância do diagnóstico precoce de sintomas e do controle rigoroso de fatores de risco para evitar complicações graves.
A campanha deste ano adota o lema internacional que incentiva a população a não ignorar os sinais do corpo. Especialistas apontam que a proteção do sistema cardiovascular depende de escolhas diárias, como alimentação balanceada, prática constante de exercícios físicos, sono reparador, manejo do estresse, abandono do fumo e consultas médicas regulares para monitorar colesterol, glicemia e pressão arterial.
O combate ao sobrepeso ganhou papel central nessa estratégia preventiva. O excesso de peso favorece o surgimento de quadros graves, mas novas alternativas farmacológicas auxiliam no controle do problema. Medicamentos agonistas do receptor de GLP-1, a exemplo da semaglutida, demonstram capacidade de diminuir em até 20% os riscos de infarto e acidente vascular cerebral em pacientes com indicação clínica específica.
O uso dessas substâncias exige prescrição e acompanhamento individualizados, sendo voltado a pessoas com índice de massa corporal acima de 30 ou a partir de 27 acompanhado de comorbidades. Médicos ressaltam que as fórmulas modernas funcionam como suporte terapêutico e não dispensam a mudança de estilo de vida, além de demandarem avaliação criteriosa do histórico de saúde de cada indivíduo.
Equipes multidisciplinares e estruturas hospitalares completas atuam de forma conjunta na identificação de alterações cardíacas. O suporte abrange desde exames preventivos e acompanhamento ambulatorial até procedimentos diagnósticos em hemodinâmica e internações em terapia intensiva coronariana, garantindo atendimento ágil para preservar vidas.
Cuidados e atitudes
Para o cardiologista do Hospital Márcio Cunha, Renato Lott, cuidar do coração envolve uma série de atitudes que precisam fazer parte da rotina. “O Dia Mundial do Coração é um bom momento para lembrar uma coisa simples: a saúde do coração é construída todos os dias. Ela depende de escolhas como praticar atividade física, ter uma alimentação equilibrada, dormir bem, controlar o estresse e não fumar. Também passa por fazer consultas de rotina, manter bem controlados fatores como pressão alta, diabetes e colesterol”, destaca.
Entre os fatores que merecem atenção está o excesso de peso, que pode estar associado ao desenvolvimento ou agravamento de condições como hipertensão, diabetes e alterações do colesterol, aumentando o risco cardiovascular. Ao mesmo tempo, os avanços da medicina têm ampliado as possibilidades de tratamento e prevenção.
Um exemplo são os medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, entre eles a semaglutida. Além dos efeitos sobre o controle do peso e do metabolismo, estudos clínicos demonstraram benefícios cardiovasculares em grupos específicos de pacientes. “Estudos mostram que, em alguns pacientes, conseguimos não apenas ajudar na perda de peso, mas também reduzir em até 20% o risco de infarto, derrame e outras complicações. Por isso, cuidar do peso também passou a ser parte importante do cuidado com o coração”, explica Dr. Renato.
O especialista ressalta, porém, que o tratamento precisa ser individualizado. Atualmente, esses remédios podem ser considerados para pessoas com IMC acima de 30 ou a partir de 27, quando já existem problemas associados ao excesso de peso. A indicação de medicamentos deve considerar as condições clínicas, os fatores de risco, as doenças associadas e os demais medicamentos utilizados pelo paciente. “O primeiro passo é fazer uma avaliação da saúde como um todo. É importante entender se já existem doenças associadas, como pressão alta, diabetes ou colesterol alterado, quais medicamentos a pessoa usa e quais são os possíveis benefícios e riscos de cada tipo de tratamento. A partir dessa avaliação médica é possível definir a melhor estratégia para cada paciente”, afirma.
A prevenção cardiovascular também passa pelo acompanhamento contínuo e pela integração entre diferentes áreas da saúde. No Hospital Márcio Cunha, esse cuidado pode envolver profissionais de diferentes especialidades, de acordo com as necessidades de cada paciente. “O objetivo é ter um tratamento integrado, individualizado e acompanhado ao longo do tempo. A obesidade é uma doença crônica e complexa e, quando precisa ser tratada, o objetivo não deve ser apenas perder peso, mas conseguir manter essa perda e reduzir os riscos para a saúde”, destaca o cardiologista.
Segundo o médico Renato Lott, os medicamentos não substituem os hábitos saudáveis. Alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado, controle da pressão arterial, diabetes e colesterol e o acompanhamento médico continuam sendo fundamentais para a proteção cardiovascular. “Essas medicações não são uma solução milagrosa e não substituem uma alimentação adequada, não substituem atividade física e o acompanhamento médico. Elas são uma ferramenta dentro de um tratamento mais completo”, reforça.
A prevenção também está relacionada à capacidade de identificar precocemente alterações cardiovasculares e oferecer atendimento especializado quando necessário. Nesse sentido, o Hospital Márcio Cunha conta com uma estrutura que contempla diferentes etapas do cuidado ao paciente cardiológico.
Entre os serviços estão a realização de exames para investigação e acompanhamento, o atendimento especializado em cardiologia, a Hemodinâmica, responsável por procedimentos diagnósticos e terapêuticos cardiovasculares, e a Unidade de Terapia Intensiva Coronariana (UTI UCO), destinada ao cuidado de pacientes que necessitam de acompanhamento intensivo. A atuação integrada desses serviços permite que o cuidado com o coração aconteça desde a avaliação e investigação de fatores de risco até o tratamento de condições cardiovasculares que exigem maior complexidade.























