O Hospital Márcio Cunha, localizado em Ipatinga, realizou uma cirurgia inédita de reconstrução microcirúrgica de língua em uma paciente de 25 anos com diagnóstico de câncer. O procedimento conjugou a retirada completa da lesão tumoral à restauração imediata do órgão com tecido retirado do antebraço da própria jovem.
A intervenção é considerada pioneira no Leste mineiro e representou um avanço no tratamento de neoplasias da cavidade bucal no estado. A abordagem foi planejada para preservar e restaurar funções vitais da cavidade oral, tais como a fala, a mastigação e o ato de engolir alimentos, reduzindo o impacto funcional pós-operatório.
Durante o ato operatório, a equipe médica retirou o segmento tumoral e realizou a enxertia de um retalho livre vascularizado do antebraço, material composto por tecido flexível e delgado, adequado à conformação da boca. Com o auxílio de microscopia de alta precisão, os cirurgiões reconectaram os vasos sanguíneos locais para garantir o restabelecimento imediato do fluxo de sangue na área reconstruída. Essa estratégia em etapa única dispensou a necessidade de submeter a paciente a uma segunda intervenção cirúrgica posterior.
A condução do caso mobilizou o cirurgião de cabeça e pescoço Clineu Gaspar, do hospital de Ipatinga, em conjunto com especialistas em microcirurgia reconstrutiva do Hospital de Câncer de Barretos, sob coordenação do médico Cleyton Dias Souza. O trabalho contou ainda com o suporte de médicos auxiliares, equipe de enfermagem e instrumentadores cirúrgicos.
De acordo com os médicos envolvidos e a diretoria técnica da unidade hospitalar, a integração entre diferentes especialidades médicas permitiu tratar a patologia oncológica ao mesmo tempo em que garantiu volume e contorno anatômico à língua. A evolução funcional da paciente segue agora com acompanhamento multidisciplinar contínuo ao longo do processo de cicatrização e reabilitação.
Avanço no tratamento do câncer de língua
Para o médico Clineu Gaspar, a realização de uma cirurgia rara representa um importante avanço para o tratamento de pacientes com câncer de língua, além de demonstrar o potencial da integração entre diferentes especialidades médicas.
“Esse procedimento representa um marco para a medicina do Leste de Minas, porque conseguimos associar a retirada do tumor, necessária para o controle da doença, à reconstrução imediata da língua. A técnica microcirúrgica permite recuperar parte do volume e do contorno do órgão, criando melhores condições para a reabilitação de funções importantes, como a fala e a deglutição. É um trabalho de alta complexidade, que exige planejamento, precisão técnica e uma equipe altamente especializada, atuando de forma integrada para oferecer ao paciente as melhores possibilidades de recuperação”, destaca o cirurgião.
A reconstrução da língua é uma etapa fundamental no tratamento de pacientes submetidos a grandes ressecções em decorrência do câncer. Além do controle oncológico, a preservação ou recuperação das funções comprometidas pela cirurgia é um dos principais objetivos da abordagem terapêutica.
A língua desempenha funções essenciais para a fala, a mastigação e a deglutição. Por isso, a retirada de uma parte significativa do órgão pode trazer impactos importantes para a alimentação e para a comunicação. Nesse contexto, o retalho livre de antebraço se destaca pelas características do tecido transferido, que é fino, flexível e adequado à reconstrução de estruturas da cavidade oral.
A conexão dos vasos sanguíneos por meio da microcirurgia permite restabelecer a irrigação do tecido no local reconstruído. A realização da reconstrução durante o procedimento evita a necessidade de uma segunda cirurgia exclusivamente para essa finalidade. Os resultados funcionais, entretanto, dependem de fatores como a extensão da retirada do tumor, a cicatrização e o acompanhamento especializado após o procedimento.
A recuperação envolve uma abordagem multidisciplinar e atuação de profissionais de diferentes áreas, conforme as necessidades de cada paciente. Esse acompanhamento é importante para favorecer a adaptação às mudanças anatômicas e a retomada progressiva das funções comprometidas pelo tratamento.
A realização da primeira reconstrução microcirúrgica de língua do Leste de Minas evidencia a capacidade do Hospital Márcio Cunha de viabilizar procedimentos de alta complexidade por meio da integração entre equipes especializadas e da articulação com instituições de referência. A cirurgia reúne diferentes competências médicas e assistenciais, desde o tratamento do tumor até a reconstrução do órgão, com foco na segurança e na recuperação do paciente.
Para o médico Alexandre Silva Pinto, diretor técnico do Hospital Márcio Cunha, o procedimento reforça a relevância da instituição para a assistência à saúde no Vale do Aço e em toda a região. A realização desse procedimento, segundo ele, demonstra a expertise do Hospital Márcio Cunha e a qualificação do nosso corpo clínico para atuar em casos de alta complexidade.
“Estamos falando de uma cirurgia que exige conhecimento técnico avançado, planejamento criterioso e integração entre diversas especialidades. A capacidade de reunir esses profissionais e oferecer uma abordagem que contempla tanto o tratamento oncológico quanto a reconstrução é fundamental para ampliar as possibilidades de cuidado. Esse avanço reafirma o compromisso do HMC com a evolução da medicina, a qualificação permanente da assistência e a busca por melhores resultados para os pacientes”, afirma o diretor técnico.























