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Dia de Finados e a queima de livros do III Reich

Redação por Redação
1 de novembro de 2024
em Sem Categoria
Tempo de Leitura: 3 minutos de leitura
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Dia de Finados e a queima de livros do III Reich

Dia de Finados e a queima de livros do III Reich (Imagen: Gerada por IA)

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Por Walter Biancardine (*)

Sextas-feiras são, normalmente, dias de alegres “happy hours” após uma longa semana de trabalho, onde amigos reúnem-se em bares e restaurantes para colocar a conversa em dia, bem como para jogá-la fora também, em descompromissados assuntos sobre a vida alheia. Mas não esta sexta, véspera do Dia de Finados e, como tal, dia em que celebramos nossas falecidas democracia e liberdade, de saudosas lembranças.


Nas memórias de nossos entes que se foram, podemos citar a liberdade de opinarmos sem medo ou de irmos às ruas protestar contra desmandos governamentais. Também nos ocorrem os bons dias em que éramos livres para usarmos redes sociais e nelas expormos o que tínhamos de pior ou melhor. Mais que isso: sempre estarão em nossas memórias aquela mãe de criancinhas – hoje órfãs de uma genitora viva – que se encontra encarcerada por causa de um batom, ou dos sofrimentos e torturas havidos por um Filipe G. Martins ou mesmo pelo monolítico deputado Daniel Silveira, despojado de seu cargo e submetido ao suplício de não saber o término de sua pena.

Mais que isso: também nos lembramos da sepultada liberdade de parlamentares – inimputáveis por quaisquer palavras ou opiniões expostas no exercício de seus cargos – que ameaça arrastar às masmorras nomes como Gustavo Gayer ou Nikolas Ferreira.

E pior de tudo, lembramos Clezão. Morto, morto e morto pela ditadura do Judiciário vigente, pela pena omissa e inclemente de um Ministro Alexandre de Moraes, que recusou-se a permitir tratamentos e socorros médicos a um doente agonizante, que morreu à míngua e sozinho na cela.

Nem de longe vivi tais sofrimentos, limitando meus tormentos à proibição de me sustentar – já que meu canal no YouTube foi desmonetizado – e à exclusão (roubo) de 28 vídeos que lá postei, fruto de trabalhos de estudo e pesquisa, mas que de alguma maneira incomodaram o sistema. Do mesmo modo meu antigo Twitter, hoje X, excluiu três contas minhas por idêntico motivo e até mesmo o Telegram removeu a antiga conta que lá mantinha.

Sabemos do corporativismo esquerdista atual da mídia e, por isso, um jornalista e escritor como eu – claramente conservador – jamais encontraria trabalho nos grandes jornais e revistas, devendo eu louvar a coragem dos editores desta Carta de Notícias e do site europeu ContraCultura, que ousaram acolher as (assim entendidas) “heresias” por mim cometidas e escritas.

Como forma de sustento e de permanecer no combate, resolvi também escrever livros – sim, pois seria rematado atrevimento da atual ditadura promover, tal qual a Juventude Hitlerista e outros, queimas públicas e espetaculosas de livros “proscritos pelo sistema” – mas, ao que parece, as tais ditaduras não encontram freios, uma vez disparadas.

Sim, comemorei cedo demais e hoje temo as consequências das obras que já publiquei: o Ministro do Supremo Tribunal Federal, o comunista Flávio Dino, acaba de censurar quatro livros jurídicos, alegando que os mesmos contem teores de homofobia.

Vou repetir, para os incrédulos: quatro – um, dois, três, quatro – livros e, pior, trabalhos acadêmicos, jurídicos, sob a desculpa de ofenderem o sacrossanto desejo sexual de algumas pessoas por outras do mesmo sexo – uma preferência sexual bastou, para que quatro obras acadêmicas fossem proibidas de circular, de serem impressas e vendidas, em todo o território nacional. E pior: não bastasse o arbítrio, somou-o à humilhação, impondo escorchante e impagável multa pecuniária de 150 mil reais para cada um deles, em nome de supostos “danos coletivos”.

As obras proibidas foram:

. Curso Avançado de Biodireito

. Teoria e Prática do Direito Penal

. Curso Avançado de Direito do Consumidor

. Manual de Prática Trabalhista

Não disponho do nome dos autores, mas a eles empresto minha total solidariedade e apoio.

Eis porque não existem motivos para nenhum “Happy Hour” nesta sexta-feira. Em respeito a tantos direitos extintos, liberdades proibidas, bocas caladas, prisões arbitrárias e sem término, parlamentares vilipendiados e, principalmente, aos mortos – assassinados – por esta ditadura, o máximo que poderemos fazer é erguer respeitoso e silencioso brinde aos que tombaram na luta.

Não mais duvido que, em breve, tenhamos cerimônias públicas de queimas de livros proscritos – dentre eles certamente a Bíblia – promovidas pelo III Reich togado, que nos oprime e governa.

Até quando?

Depende de você.

(*) Walter Biancardine é jornalista, analista político e escritor. Foi aluno do Seminário de Filosofia de Olavo de Carvalho, autor de três livros e trabalhou em jornais, revistas, rádios e canais de televisão na Região dos Lagos, Rio de Janeiro
Tag: democraciaDia de FinadosHappy HoursliberdadeWalter Biancardine
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