Por Mário Plaka (*)
Não existe opinião pública no Brasil. O que existe — e isso precisa ser dito com todas as letras — é a opinião publicada, fabricada, repetida e legitimada artificialmente por conglomerados de comunicação, analistas alinhados e institutos de pesquisa que atuam não como observadores da realidade, mas como engenheiros de narrativas políticas.
Sob a ótica constitucional, isso representa uma grave distorção do princípio democrático.
A soberania
A soberania popular, prevista no artigo 1º da Constituição Federal, pressupõe um cidadão minimamente informado, capaz de formar juízo crítico livre de manipulação sistemática. Quando a informação é substituída por propaganda disfarçada de jornalismo, o que se tem não é democracia plena, mas uma democracia formalmente válida e materialmente fraudada.
A manipulação da chamada “opinião pública” não ocorre por acaso. Ela depende, estruturalmente, da manutenção do analfabetismo político, da precarização do ensino, do esvaziamento do pensamento crítico e da negação deliberada do acesso ao conhecimento real sobre economia, geopolítica, Estado e poder.
É exatamente nesse ponto que a esquerda histórica — no Brasil e no cenário internacional — revela sua estratégia central: quanto menor o nível de consciência política da população, maior sua capacidade de dominação eleitoral.
O sistema
O cidadão que compreende o funcionamento do sistema econômico, a engrenagem do Estado e os interesses globais deixa de ser massa de manobra. E, inevitavelmente, deixa de ser eleitor cativo.
Sob o falso discurso de que “leva informação ao povo”, o que se pratica é desinformação organizada, reiterada e validada por veículos que já não cumprem sua função social. No Brasil, esse método passou a ser compartilhado com o Centrão, que atua como força parasitária do sistema político: sem ideologia, sem projeto nacional e absolutamente comprometido com a autopreservação no poder.
Do ponto de vista jornalístico, o que se vê é a renúncia ao dever ético da imparcialidade. Veículos como Uol e grupos vinculados ao conglomerado Globo deixaram de exercer o papel fiscalizador para se tornarem atores políticos ativos, moldando percepções, selecionando fatos, omitindo contextos e amplificando narrativas convenientes aos interesses de seus financiadores.
Não é coincidência que muitos dos grandes proprietários desses meios sequer residam no Brasil. Seus interesses não são nacionais, são econômicos e globais. O país vira palco, o povo vira plateia e a informação vira mercadoria.
Jornalistas, muitas vezes com formação limitada em história, economia e política internacional, são utilizados como operadores de discurso, não como profissionais da verdade. O resultado é um ambiente informacional tóxico, onde a repetição substitui o fato e a narrativa suplanta a realidade.
Uma mentira
Como ensina o velho princípio — amplamente comprovado pela história — uma mentira repetida inúmeras vezes passa a ser aceita como verdade, sobretudo quando direcionada a uma população mantida propositalmente distante do conhecimento político.
Todos pagam o preço dessa engrenagem.
Nesse contexto, não é casual o esforço coordenado para difundir a ideia de que Flávio Bolsonaro estaria politicamente “acorrentado ao Planalto” ou de que o Centrão teria como foco exclusivo a eleição de deputados. Trata-se de uma operação narrativa com objetivo claro: desmobilizar a direita, desestimular sua base e impedir o fortalecimento de uma representação sólida no Congresso Nacional.
Porque o sistema não teme nomes. O sistema teme maiorias conscientes. Teme bancadas independentes. Teme um Parlamento que não seja refém de emendas, chantagens e acordos subterrâneos.
O Centrão e a Esquerda
Centrão e esquerda, apesar das diferenças discursivas, operam com a mesma finalidade estrutural: enfraquecer a soberania nacional, destruir a autonomia econômica, corroer a família como base social e transformar o Estado em instrumento de saque institucionalizado.
Os sucessivos escândalos que assolam o país não deixam dúvidas: os protagonistas, direta ou indiretamente, orbitam esses mesmos grupos. E agora, com os recursos drenados da corrupção política, o sistema se blinda. Compra silêncio, compra manchetes, compra pesquisas, paga advogados caros e constrói narrativas que garantem impunidade.
Tudo isso às custas de um povo trabalhador, honesto e historicamente explorado.
Por isso, é necessário reafirmar com clareza jurídica, jornalística e moral: opinião pública não existe quando a informação é sequestrada. O que existe é opinião publicada — construída para induzir, confundir e dominar.
A verdadeira ruptura começa quando o cidadão abandona a manchete pronta, questiona a narrativa oficial e assume o direito — e o dever — de pensar por si mesmo.























