O governo dos Estados Unidos divulgou nesta sexta-feira (5) uma nova estratégia de segurança nacional que redesenha a atuação militar e diplomática do país na América Latina e no Caribe. O documento, aprovado pelo presidente Donald Trump, orienta que Washington concentre esforços em ameaças consideradas prioritárias no hemisfério ocidental, como organizações criminosas, tráfico de drogas e imigração irregular.
A diretriz prevê o deslocamento de unidades militares para operações específicas na região, inclusive com possibilidade de empregar força letal contra cartéis quando julgado necessário. A Casa Branca argumenta que abordagens baseadas apenas em ações policiais “mostraram limites” nas últimas décadas e defende maior participação das Forças Armadas no enfrentamento ao crime transnacional.
Além da atuação terrestre, o governo americano quer ampliar o monitoramento marítimo. A estratégia orienta que a Guarda Costeira e a Marinha reforcem patrulhas em rotas usadas pelo narcotráfico e por grupos que promovem travessias ilegais em direção ao território dos EUA. A medida ocorre em meio ao aumento da presença de navios militares norte-americanos no Caribe e a um cenário de tensão diplomática com a Venezuela.
Nos últimos meses, as forças dos EUA têm realizado ataques a embarcações suspeitas no Caribe e no Pacífico, ações que, segundo autoridades americanas, miram organizações ligadas ao tráfico internacional. De acordo com o governo, essas operações resultaram na morte de mais de 80 pessoas. Washington também classificou recentemente o chamado Cartel de los Soles — suposto grupo criminoso venezuelano cuja existência é negada por Caracas — como organização terrorista.
O documento apresentado pela Casa Branca também descreve diretrizes econômicas para a região. A estratégia reafirma o uso de tarifas e acordos comerciais como instrumentos para ampliar a inserção de produtos e investimentos norte-americanos na América Latina. O texto menciona ainda desafios relacionados à “influência estrangeira” exercida sobre países do continente, citando a China como exemplo principal por sua forte presença comercial na região.
Segundo o governo Trump, políticas voltadas ao “rebalanceamento” global seriam necessárias para reduzir o que classifica como desequilíbrios causados pelo excedente industrial chinês, abrindo mais espaço para o comércio com os EUA.
A nova orientação também resgata princípios históricos da política externa norte-americana. O documento afirma que Washington passará a aplicar um “Corolário de Trump” à Doutrina Monroe — linha diplomática do século 19 que defendia a não intervenção de potências externas nas Américas. De acordo com a Casa Branca, o novo corolário busca assegurar que o hemisfério ocidental permaneça estável e com governos capazes de evitar fluxos migratórios em larga escala rumo aos Estados Unidos.
A estratégia ainda reforça a intenção de contar com a cooperação de países da região no combate a cartéis, narcoterroristas e demais grupos criminosos transnacionais.
Fora do continente americano, o plano divulgado nesta sexta-feira também destaca prioridades para outras áreas: a garantia de navegação em rotas estratégicas e de cadeias de suprimento no Indo-Pacífico; a defesa da segurança europeia; e a contenção de adversários em regiões marcadas por disputas energéticas e conflitos prolongados, como o Oriente Médio.























