Hugo Hugo Armando Carvajal Barrios, apelidado de “El Pollo”, foi um dos oficiais mais influentes das forças de segurança da Venezuela durante as gestões dos então presidentes Hugo Chávez e Nicolás Maduro. Entre 2004 e 2011, dirigiu a agência de contrainteligência militar do país — a Dirección de Inteligencia Militar (DIM) — assumindo também o cargo por breve período entre 2013 e 2014. Ele ainda exerceu mandato como parlamentar na Assembleia Nacional. Sua influência em diferentes níveis do Estado venezuelano lhe dava acesso privilegiado a informações sensíveis. Preso na Espanha e deportado para os Estados Unidos, ele entregou Nícolas Maduro, em delação premiada, ao governo norte-americano.
CABEÇA DO NARCOTRÁFICO
Desde ao menos 2011, as autoridades dos Estados Unidos apontavam Carvajal como operador de tráfico internacional de drogas. A acusação indica que ele coordenou remessas de cocaína da Venezuela ao México, com destino aos EUA.
Em 2025, ele se declarou culpado perante um tribunal federal em Manhattan de várias acusações: conspiração para importar cocaína, narcoterrorismo — inclusive em benefício da coligação armada FARC — e crimes envolvendo armas.
As autoridades americanas alertaram que Carvajal representa um exemplo grave de uso de cargos públicos para canalizar drogas e armamentos, praticando atividades que colocam em risco a segurança e a saúde dos cidadãos dos EUA.
ORGANIZAÇÕES TERRORISTAS
Há algumas semanas, Carvajal enviou uma carta ao ex-presidente americano Donald Trump, escrita da prisão federal nos EUA, na qual afirma que o governo Maduro opera como uma estrutura criminosa organizada, com tráfico de drogas, alianças com grupos armados (como FARC, ELN, agentes cubanos e até membros do Hezbollah) e operações de espionagem.
Segundo ele, essas conexões teriam servido para consolidar rotas de cocaína rumo aos Estados Unidos e para financiar atividades políticas e de inteligência, dentro e fora da Venezuela. Além disso, Carvajal alega que o regime influenciou sistemas de votação eletrônica — mencionando a empresa Smartmatic — para manipular resultados eleitorais.
PRISÃO, FUGA, EXTRADIÇÃO E DELAÇÃO
Após deixar o cargo de chefe de inteligência, Carvajal rompeu com Maduro em 2019 e declarou apoio à oposição. Isso o fez se tornar alvo direto do regime e buscou refúgio na Espanha. Detido em 2019 em Madri a pedido dos EUA, ele chegou a obter liberdade provisória, mas fugiu e só foi recapturado em 2021. Após longo processo judicial, foi extraditado para os Estados Unidos em 2023.
Agora, como delator, Carvajal coopera com autoridades norte-americanas e suas revelações voltam a provocar repercussão internacional, reacendendo críticas e pressão diplomática contra o governo da Venezuela.























