O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA-MG), desencadeou na manhã desta terça-feira (2) a Operação Ambiente 186, uma das maiores ações recentes de combate à sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no estado. A investigação mira um esquema estruturado que teria provocado um rombo superior a R$ 215 milhões aos cofres mineiros.
A operação envolve atacadistas, redes de supermercados e empresas ligadas ao setor varejista. Entre os alvos está a rede Coelho Diniz, considerada a maior rede de hipermercados do Leste de Minas Gerais e detentora de cerca de 25% das ações do Grupo Pão de Açúcar.
MANDADOS E BLOQUEIO DE QUASE MEIO BILHÃO EM BENS
As equipes cumpriram mandados de busca e apreensão na Região Metropolitana de Belo Horizonte e no Centro-Oeste mineiro, em endereços de empresas e residências de empresários e funcionários suspeitos de integrar o esquema.
Foram apreendidos celulares, computadores, documentos, mídias eletrônicas e veículos de luxo, que, segundo os investigadores, eram usados para movimentação e ocultação de capitais oriundos da sonegação.
O CIRA obteve ainda o bloqueio de bens dos investigados, totalizando R$ 476 milhões, medida destinada a assegurar o ressarcimento aos cofres públicos e impedir a dilapidação do patrimônio.
EMPRESÁRIOS DO COELHO DINIZ ENTRE OS INVESTIGADOS
No âmbito do grupo Coelho Diniz, dois administradores — Fábio Coelho Diniz e Gustavo Coelho Diniz — estão sendo investigados. O empresário Alex Coelho Diniz não foi alvo de medidas nesta etapa.
A operação também cita o nome do publicitário Marcos Valério, mas o MPMG não detalhou sua eventual participação no esquema.
ENTENDA O ESQUEMA INVESTIGADO
As investigações duraram mais de 18 meses e identificaram a existência de uma organização criminosa composta por empresários dos setores atacadista e varejista. Eles teriam montado empresas de fachada para simular operações interestaduais, estratégia que reduzia artificialmente a carga tributária.
O objetivo era sonegar ICMS próprio e ICMS devido por substituição tributária, criando uma falsa competitividade e aumentando os lucros dos envolvidos.
Segundo o MPMG, o grupo se apropriava de valores que deveriam ser recolhidos ao Estado, desviando recursos destinados ao financiamento de políticas públicas essenciais, como saúde, educação e segurança.
O esquema também gerava concorrência desleal, prejudicando empresas que cumprem regularmente as obrigações fiscais.
FORÇA-TAREFA MOBILIZOU MAIS DE 200 AGENTES
A operação contou com uma grande integração entre órgãos estaduais e federais. Participaram:
6 promotores de Justiça
3 delegados da Polícia Civil
65 policiais militares
54 policiais civis
9 bombeiros militares
58 auditores fiscais da Receita Estadual
2 auditores da Receita Federal
15 servidores do Ministério Público
A força-tarefa concentrou esforços em empresas do segmento varejista e atacadista que, segundo o MPMG, movimentavam grande volume financeiro através de manobras fiscais fraudulentas.
COLETIVA NO MPMG DETALHOU OS PRÓXIMOS PASSOS
Em coletiva realizada na sede do Ministério Público, os promotores Janaína de Andrade Dauro e Wagner Augusto Moura e Silva, do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Defesa da Ordem Econômica e Tributária (Caoet), apresentaram detalhes da ação ao lado de representantes da Receita Estadual, Polícia Militar e Polícia Civil.
Segundo os investigadores, as análises seguirão ao longo das próximas semanas com a avaliação do material apreendido e a continuidade das diligências para aprofundar a responsabilidade dos envolvidos.























