O padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa divulgou uma carta aberta na qual rejeita a excomunhão decretada pelo Vaticano e afirma que continuará celebrando missas em Brasília. No documento de oito páginas, publicado nesta quinta-feira (16), o sacerdote faz duras críticas à cúpula da Igreja Católica no Brasil e contesta a validade das sanções impostas à sua atuação ministerial.
O conflito eclesiástico teve origem após o padre aderir, em abril de 2025, à Fraternidade Sacerdotal Pio X (FSSPX). A organização tradicionalista motivou a reação da Santa Sé após realizar a ordenação de quatro bispos sem o consentimento do papa. Como resposta, o Vaticano publicou um decreto oficializando a situação de cisma e aplicando a excomunhão aos membros e clérigos vinculados ao grupo, tornando ilícitos os atos religiosos praticados por eles.
Em posicionamento oficial, a Arquidiocese de Brasília emitiu uma nota pastoral alertando que as confissões e casamentos conduzidos por Françoá Costa são juridicamente nulos. A instituição advertiu ainda que as atividades litúrgicas e de formação promovidas na Capela Santo Atanásio são consideradas irregulares. O comunicado ressalta que os fiéis católicos que frequentarem o local de forma regular ou exclusiva também correm o risco de incorrer em cisma e excomunhão por romper com o arcebispo local e com o Sumo Pontífice.
Na manifestação enviada aos fiéis, o sacerdote relatou o histórico de desentendimentos acumulados em mais de duas décadas de ordenação, alegando sofrer retaliações internas por sua postura teológica. Ele mencionou disputas anteriores com a hierarquia local, como uma ordem recebida para apagar vídeos com denúncias sobre rituais inter-religiosos em templos católicos e sua destituição de uma paróquia em Ceilândia em 2024, após inserir traduções em latim no Missal Romano.
Para justificar a resistência às ordens de seus superiores, o religioso evocou precedentes históricos de figuras católicas que foram condenadas por tribunais eclesiásticos no passado e posteriormente reabilitadas pela Igreja, como Joana D’Arc e Santo Atanásio. O padre também reafirmou sua rejeição às reformas doutrinárias consolidadas pelo Concílio Vaticano II, criticando aspectos como o ecumenismo, a liberdade religiosa e as modificações na estrutura da missa tradicional.























