O processo de transição entre o governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), e o sucessor eleito, Cleitinho Azevedo (Republicanos), começou marcado por desconfiança mútua e divergências públicas sobre as contas estaduais. O principal foco de atrito envolve as garantias para o pagamento de mais de 750 mil servidores públicos a partir do início do próximo mandato, em um cenário de aperto fiscal com estimativa de déficit bilionário e dívidas com a União.
Segundo informações do site Metrópoles, rusgas ganharam força após manifestações públicas de Simões demonstrando receio com o equilíbrio orçamentário estadual nos primeiros meses da próxima administração. Embora o atual governo afirme que os recursos para o 13º salário e a folha salarial de janeiro estão garantidos — com quitação prevista para o dia da posse dos eleitos —, o grupo do futuro mandatário tem cobrado dados transparentes para saber as reais condições financeiras a partir de fevereiro.
Em resposta às falas da atual administração, Cleitinho rebateu os questionamentos nas redes sociais, afirmando que a preocupação levantada pela gestão em exercício expõe fragilidades da própria administração que está no comando do Executivo mineiro até dezembro. O governador eleito também sustentou que a equipe necessita de informações orçamentárias detalhadas para organizar o planejamento pós-posse.
Nos bastidores e nas discussões institucionais, o atrito também se apoia em divergências tributárias. A gestão atual demonstra preocupação com a promessa de campanha de Cleitinho de diminuir as alíquotas do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), apontando que a eventual perda de arrecadação pode pressionar o fluxo de caixa estadual em meio a um déficit projetado em R$ 9 bilhões e débitos federais que se aproximam de R$ 200 bilhões.
Por outro lado, o governador eleito defende que o impacto da desoneração do IPVA poderá ser compensado com a reavaliação de benefícios fiscais concedidos a empresas no estado, montante que alcança cifras bilionárias neste ano. Enquanto o diálogo institucional prossegue com encontros transmitidos pelos canais oficiais do Estado, o clima entre os grupos segue tenso em relação ao ritmo das reuniões e ao acesso a relatórios completos da administração mineira.























