O comércio brasileiro iniciou as seleções para as festas de fim de ano sob o desafio de conter a rápida desistência de trabalhadores temporários. Embora a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) tenha projetado cerca de 112,6 mil vagas no período — impulsionadas por supermercados, vestuário, calçados e eletroeletrônicos —, o ritmo puxado e a baixa taxa de efetivação têm elevado a troca de funcionários nas lojas durante o pico de vendas.
A pressa em preencher postos como caixas, vendedores, estoquistas e repositores costuma comprometer a qualidade da triagem inicial. Com uma perspectiva de efetivação que gira em torno de apenas 11%, muitos contratados abandonam os postos de trabalho poucas semanas após o início das atividades. Esse cenário sobrecarrega os estabelecimentos comerciais, que precisam reabrir processos de seleção no momento de maior movimento, gerando equipes desfalcadas e reflexos diretos no atendimento ao público.
Para mitigar esse gargalo, empresas do segmento estão adotando soluções de inteligência e automação em recursos humanos. Ferramentas digitais de recrutamento, como as desenvolvidas pela startup Tunni, passaram a integrar avaliações comportamentais baseadas nas metodologias DISC e Big Five. O método busca cruzar as características do profissional com as exigências específicas de cada função, distinguindo perfis voltados ao contato com clientes daqueles mais aptos à logística de estoque ou à pressão operacional.
Outro recurso em expansão envolve plataformas como o Meet Inteligente, voltadas a gravar entrevistas, sistematizar tópicos centrais e emitir relatórios padronizados sobre os candidatos. O mecanismo permite acelerar a análise de grandes volumes de currículos, diminuir impressões subjetivas dos recrutadores e garantir escolhas baseadas em dados consolidados. Com a tecnologia como aliada na filtragem dos perfis, o setor busca evitar admissões improvisadas e estabilizar as equipes até o encerramento do calendário festivo.























