Por Mário Plaka (*)
O Brasil vive uma crise profunda que vai muito além da sala de aula. Fala-se em futuro, inovação, tecnologia e desenvolvimento, enquanto os pilares que sustentam qualquer nação séria — educação, segurança pública e saúde social — seguem enfraquecidos, abandonados ou tratados apenas como slogans eleitorais.
Não existe país forte sem povo preparado. Não existe indústria moderna sem mão de obra qualificada. Não existe prosperidade coletiva quando milhões de jovens saem da escola sem domínio pleno da leitura, da escrita, da matemática básica e sem perspectiva concreta de futuro.
O que se vê hoje é alarmante. Jovens concluem etapas escolares sem condições mínimas para competir no mercado de trabalho, ingressar em cursos técnicos ou acompanhar com autonomia o ensino superior. Isso não é falha individual. É reflexo de um sistema que falhou com eles.
Enquanto isso, o ensino técnico — que deveria ser a ponte entre juventude e emprego — continua pequeno diante das necessidades nacionais. Faltam escolas técnicas, faltam vagas, faltam laboratórios, faltam transporte adequados, faltam horários compatíveis para quem precisa estudar e trabalhar, faltam políticas permanentes e sérias.
Em muitas cidades, o jovem precisa escolher entre estudar ou ajudar financeiramente sua casa. Em outras, sequer existe uma escola técnica próxima. Onde existe, a concorrência é enorme. O acesso continua restrito para quem mais precisa.
E quando se cobra solução, sempre aparece a velha desculpa: “é caro”, “não há orçamento”, “é complexo”. Curioso como quase sempre falta dinheiro para formar o povo, mas raramente falta dinheiro para desperdícios, privilégios e estruturas ineficientes.
A juventude entre a escola e o crime
Há ainda uma verdade dura que muitos evitam enfrentar: quando a educação falha e a segurança pública enfraquece, o crime organizado avança.
Facções criminosas e o tráfico de drogas ocupam espaços deixados pelo Estado. Capturam jovens vulneráveis, desviam talentos, destroem famílias e transformam adolescentes em vítimas, usuários ou operadores da criminalidade.
Quando falta escola forte, oportunidade real e presença do poder público, sobra terreno fértil para o aliciamento.
Por isso, fortalecer a segurança pública também é política educacional.
É necessário integrar escola, comunidade, famílias e forças legais do Estado para proteger crianças e adolescentes. Programas preventivos, ações educativas, mediação de conflitos, presença comunitária e combate ao tráfico no entorno escolar são medidas urgentes.
A escola precisa ser território de paz, aprendizado e proteção — nunca área de medo ou influência criminosa.
Saúde física e mental também educa
Outro ponto ignorado por muitos discursos fáceis é a saúde dos estudantes.
Não basta colocar centenas de jovens em salas lotadas sem acompanhamento físico, emocional e psicológico. Muitos convivem com ansiedade, depressão, violência doméstica, fome, uso de drogas no ambiente familiar e abandono.
Sem cuidado integral, o rendimento cai, a evasão cresce e o futuro se fecha.
Educação séria exige apoio multidisciplinar: professores valorizados, orientação pedagógica, acompanhamento psicológico, esporte, cultura e ambiente saudável.
Chamado aos que desejam governar
O Grupo Ouvidoria Popular conclama todos que pretendem disputar:
Presidência da República
Governos Estaduais
Senado Federal
Câmara dos Deputados
Assembleias Legislativas
…a apresentarem planos reais, metas públicas e cronogramas verificáveis para reconstruir o Brasil.
Não basta prometer. É preciso mostrar como fazer.
Medidas urgentes
Curto prazo:
Reforço nacional de alfabetização e matemática básica
Recuperação da aprendizagem perdida
Segurança reforçada no entorno escolar
Bolsa permanência para estudantes vulneráveis
Ampliação imediata de vagas técnicas existentes
Atendimento básico de saúde física e mental nas escolas
Médio prazo:
Expansão de escolas técnicas federais e estaduais
Parcerias com setor produtivo para estágio e emprego
Modernização curricular ligada ao mercado real
Formação e valorização docente
Integração entre educação, assistência social e segurança pública
Longo prazo:
Redução do desemprego jovem
Reindustrialização com base técnica
Enfraquecimento do recrutamento criminoso
Mobilidade social verdadeira
Desenvolvimento nacional sustentável
A verdade dura
Sem educação forte, o Brasil continuará importando tecnologia, exportando talentos e desperdiçando gerações.
Sem segurança pública eficiente, continuará perdendo jovens para o crime.
Sem saúde e apoio social, continuará empilhando sofrimento silencioso.
Sem base escolar sólida, não há universidade forte.
Sem ensino técnico robusto, não há indústria forte.
Sem ordem, oportunidade e mérito, não há justiça social verdadeira.
A escola deve formar cidadãos livres, preparados, críticos e capazes de prosperar — não números frios em estatísticas ou massa vulnerável ao abandono.
Pergunta final ao país
Se não reconstruirmos a educação agora, quando?
Se não protegermos nossa juventude agora, quem protegerá?
Se continuarmos trocando prática por discurso, até onde iremos afundar?
O futuro do Brasil não está nos palanques.
Está dentro da sala de aula.
E também na capacidade de protegê-la.























