Por Mário Plaka (*)
Eu faço aqui uma crítica direta e sem rodeios sobre uma situação que considero extremamente grave dentro do princípio democrático e institucional de um país.
A embaixada não pertence ao presidente da República.
Não pertence ao partido político que está no poder.
Não pertence aos amigos do governo.
E também não pertence aos aliados ideológicos de ocasião.
A embaixada pertence ao Estado brasileiro. E o Estado brasileiro pertence ao povo.
Por isso, quando eu vi a crítica de um jornalista dizendo que o presidente Lula errou ao impedir que um senador concedesse entrevista dentro da embaixada brasileira, eu concordei plenamente com a crítica. Inclusive, eu comentei na própria publicação dele que ele não descobriu a roda, não descobriu o fogo e nem inventou a pólvora ao dizer isso. Porque isso é o básico do funcionamento de uma democracia e de uma representação diplomática séria.
Foi uma imposição esdrúxula.
Foi um erro político.
E, na minha visão, foi um verdadeiro tiro no pé.
Uma embaixada existe para representar os interesses da nação brasileira perante outro país. Ela serve ao povo brasileiro como um todo, independentemente de religião, ideologia, posição política ou simpatia partidária.
Os diplomatas representam o Estado brasileiro, não um grupo político específico. O presidente pode indicar um embaixador, mas isso não transforma a embaixada em extensão pessoal do governo.
Governos passam.
O Estado permanece.
E justamente por isso eu considero perigoso quando começam a surgir sinais de aparelhamento político de estruturas públicas que deveriam servir igualmente todos os brasileiros.
E aqui existe uma contradição que chama atenção.
Um influencer alinhado ao Lula e à Janja hospedou-se na embaixada brasileira em Roma e chegou inclusive a gravar vídeos de dentro da representação diplomática. E eu deixo claro: eu não acho errado um brasileiro utilizar a estrutura de apoio da embaixada. Se a pessoa precisava de segurança, apoio ou acolhimento institucional, isso faz parte do papel da representação diplomática.
O problema começa quando o critério muda conforme a posição política da pessoa.
Porque, se um aliado do governo pode utilizar aquele espaço e até produzir conteúdo de dentro da embaixada, por qual motivo um senador da República não poderia conceder uma entrevista?
É exatamente essa incoerência que revolta muita gente.
A embaixada não pode funcionar como espaço seletivo onde entram apenas os amigos do poder. Ela não pode ser transformada em patrimônio ideológico de governo nenhum.
E eu tenho convicção de que, se uma situação semelhante tivesse acontecido durante o governo Bolsonaro, muitos setores da imprensa, do meio político e até instituições do Judiciário teriam reagido imediatamente exigindo explicações formais.
Essa discussão não é sobre esquerda ou direita.
É sobre limite institucional.
É sobre respeito à democracia.
É sobre entender que estruturas públicas pertencem ao povo e não aos governantes temporários.
Quando governos começam a agir como donos do Estado, a democracia começa a adoecer.
E o cidadão brasileiro precisa entender isso antes que o normal passe a ser aceitar privilégios para aliados e restrições para adversários.
Porque a embaixada não é do presidente.
Não é do partido.
Não é dos amigos do poder.
A embaixada é do povo brasileiro.























