Por Mário Plaka (*)
Antes de tudo, é preciso dizer algo que muitos evitam falar: político não é herói. Juiz não é herói. Promotor não é herói. Vereador, deputado, senador, prefeito, governador ou presidente da República não são heróis. Todos são servidores públicos pagos pelo povo e devem servir ao povo com responsabilidade, respeito e coerência.
Quem sustenta o Estado brasileiro não são os políticos, nem as autoridades. Quem sustenta essa máquina pesada é o povo trabalhador: o gari, o pedreiro, o motorista, o comerciante, o autônomo, o pequeno, o médio e o grande empresário. É o povo que trabalha, produz, paga impostos e carrega o Brasil nas costas.
Quando falamos do Judiciário brasileiro, estamos falando de uma estrutura gigantesca. Hoje, o país conta com aproximadamente 18.911 juízes, entre civis, federais, trabalhistas, eleitorais e militares. Soma-se a isso 93 ministros distribuídos entre STF, STJ, TST, TSE e STM, além de cerca de 360 desembargadores e mais de 10 mil promotores. Como essa estrutura não funciona sozinha, existem ainda cerca de 275 mil assessores sustentando essa engrenagem.
E é importante deixar muito claro: esses números se referem apenas aos que estão na ativa.
Além disso, existe um contingente enorme de aposentados e pensionistas, que já não exercem mais função alguma, mas continuam pesando fortemente na conta do contribuinte brasileiro, mantendo salários elevados, benefícios integrais e pensões vitalícias. Ou seja, o custo não diminui — ele se perpetua ao longo do tempo.
Tudo isso tem um custo — e um custo altíssimo.
O Judiciário brasileiro consome, em média, R$ 278 mil por minuto, R$ 16,7 milhões por hora, R$ 401 milhões por dia, chegando a aproximadamente R$ 146,5 bilhões por ano.
E aqui é preciso que o povo brasileiro entenda algo essencial: esses valores dizem respeito apenas ao custo legal e institucional da máquina pública, aquilo que está dentro do orçamento oficial. Isso sem sequer entrar no imenso mar de corrupção que gira no entorno do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, revelado constantemente por denúncias, investigações e escândalos que, muitas vezes, acabam sem punição efetiva.
Agora pare e reflita: o que o povo recebe em troca de tudo isso?
Justiça lenta, insegurança jurídica, decisões contraditórias.
Dois pesos e duas medidas e a permanente sensação de impunidade.
No Brasil, o cidadão paga muito imposto e recebe, na maioria das vezes, um serviço público ruim, ineficiente e distante da realidade do povo. Essa conta não fecha na cabeça de muita gente porque ela vem diluída no dia a dia, escondida em discursos bonitos, manchetes confusas e narrativas que não mostram a realidade como ela é.
Esse é o Custo Brasil.
Um custo que recai diretamente sobre as costas de quem trabalha, produz e sustenta essa máquina inchada e permanente.
Por isso, este texto não é apenas uma crítica. É um chamado à responsabilidade do povo brasileiro. Porque cada escolha tem consequência. Cada voto tem peso. Seja para vereador, prefeito, deputado estadual, deputado federal, senador, governador ou presidente da República, a decisão começa na consciência do eleitor.
Este é apenas o primeiro texto.
Nos próximos, vamos falar do Legislativo, começando pelas Câmaras de Vereadores e chegando ao Senado Federal.
Depois, vamos falar do Executivo, do prefeito ao presidente da República, mostrando quanto custa manter toda essa máquina funcionando.
O Brasil só muda quando o povo entende o tamanho do peso que carrega e passa a escolher com mais coerência, responsabilidade e consciência.























