Por Mário Plaka (*)
Então vem comigo, porque entender esse peso é essencial para que o povo brasileiro compreenda por que carrega uma carga tão pesada nas costas — e por que o voto não tem preço, mas tem consequência.
Assim como no Judiciário, aqui também é preciso deixar algo muito claro: legislador não é herói. Vereador, deputado ou senador não é dono do mandato. São servidores públicos eleitos para representar o povo, e não para viver acima dele. Quem sustenta toda essa estrutura não é partido político, não é fundo eleitoral — é o povo trabalhador.
O Legislativo brasileiro começa lá embaixo, nas Câmaras Municipais, passa pelas Assembleias Legislativas dos estados e do Distrito Federal, e chega ao Congresso Nacional, composto pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. É uma estrutura enorme, cara e permanente.
Hoje, o Brasil tem aproximadamente 58 mil vereadores, espalhados por mais de 5.500 municípios. Cada vereador possui salário, benefícios e, na maioria dos casos, assessores comissionados, além de contar com toda a estrutura administrativa da Câmara Municipal: servidores efetivos, terceirizados, cargos de confiança, prédios, veículos, comunicação, tecnologia e manutenção.
Subindo um degrau, temos cerca de 1.059 deputados estaduais e distritais, distribuídos pelas Assembleias Legislativas e pela Câmara Legislativa do Distrito Federal. Cada um deles também possui gabinete, assessores, verbas, estrutura própria e acesso a uma máquina administrativa robusta, mantida integralmente pelo contribuinte.
No plano federal, o custo aumenta ainda mais. São 513 deputados federais e 81 senadores da República. Cada parlamentar tem direito a dezenas de assessores, verbas de gabinete, auxílio-moradia, passagens, diárias, estrutura de comunicação e suporte técnico. Além disso, tanto a Câmara dos Deputados quanto o Senado Federal mantêm milhares de servidores diretos e indiretos, muitos deles com salários elevados, estabilidade e benefícios que se estendem ao longo de décadas.
E aqui é preciso destacar um ponto que o povo muitas vezes não percebe: essa conta não se limita aos que estão na ativa. Assim como no Judiciário, o Legislativo também carrega um peso permanente de aposentados e pensionistas, que continuam sendo pagos mesmo após deixarem a função, mantendo o custo alto ano após ano.
Quando se soma tudo isso — vereadores, deputados estaduais e distritais, deputados federais, senadores, assessores, servidores das Casas Legislativas, estruturas administrativas e benefícios — o custo anual do Legislativo brasileiro chega a dezenas de bilhões de reais, com estimativas independentes apontando valores que ultrapassam facilmente a casa dos R$ 100 bilhões por ano, considerando todas as esferas.
E é fundamental deixar claro: estamos falando do custo legal, institucional, previsto em orçamento.
Isso sem sequer entrar no imenso mar de corrupção, favorecimentos, barganhas políticas, troca de cargos, emendas negociadas e interesses privados que giram no entorno do Legislativo brasileiro e que, muitas vezes, amarram o parlamentar àqueles que financiaram sua campanha ou facilitaram sua eleição.
Agora a pergunta que precisa ecoar na consciência do eleitor é simples: o que o povo recebe em troca de tudo isso?
Leis que muitas vezes não melhoram a vida do cidadão.
Decisões distantes da realidade das ruas.
Parlamentares presos a interesses partidários, econômicos ou pessoais.
E representantes que, em muitos casos, não estão ali por capacidade própria, mas porque foram escolhidos justamente por serem fáceis de manipular.
Essa é a consequência de um povo que vota sem acompanhar, sem fiscalizar e sem cobrar. Por isso é preciso repetir, quantas vezes for necessário: voto não tem preço, voto tem consequência. Cada escolha feita na urna reflete diretamente no tamanho da máquina, no peso dos impostos e na qualidade — ou falta dela — dos serviços públicos.
Esse é mais um capítulo do Custo Brasil.
Um custo que não aparece claramente no dia a dia, mas que está embutido em cada imposto pago, em cada taxa cobrada e em cada serviço que não funciona como deveria.
Este texto faz parte de uma série.
No próximo, vamos falar do Executivo, do prefeito ao presidente da República, mostrando quanto custa manter essa engrenagem funcionando e por que, no fim das contas, é sempre o povo quem paga a conta.
O Brasil só muda quando o eleitor entende o tamanho da estrutura que sustenta e passa a escolher com mais consciência, responsabilidade e coerência.























