Por Mário Plaka
Está resolvido: vote em quem representa os seus valores. Se você considera aceitável roubar, mentir e enganar, que coerência haverá em exigir honestidade dos políticos? Se você defende o aborto, examine as posições de quem pretende representar você. Se a fé cristã, a família e os princípios éticos e morais da Bíblia são importantes para você, não trate esses valores como enfeites de discurso. Observe o que os candidatos dizem, defendem e fazem. Palavra bonita não substitui caráter, e discurso religioso não transforma ninguém, automaticamente, em pessoa honesta.
Se você acredita que o combate ao tráfico de drogas e à criminalidade é indispensável, examine a postura dos candidatos diante dos criminosos. Defender direitos fundamentais não é o mesmo que proteger criminosos da responsabilização. O Estado de Direito exige respeito à lei, às vítimas e ao devido processo legal. Quem exige rigor para o adversário, mas procura justificativas quando o beneficiado é seu aliado, não está defendendo princípios: está escolhendo conveniências.
E quando alguém é confrontado com fatos e responde que não sabe, não lembra, não conhece ou que aquilo não lhe pertence, não basta aceitar a explicação nem condenar antecipadamente. É preciso cobrar provas, esclarecimentos e responsabilidade. Se houve crime, que haja investigação e punição conforme a lei. Se houve mentira, que a verdade apareça. Se houve corrupção, que os responsáveis respondam por seus atos, independentemente de partido, de cargo ou de ideologia.
O Brasil enfrenta uma crise que não se resolve apenas trocando nomes nas urnas. Existe uma crise de confiança, de coerência e de compromisso com valores que deveriam ser inegociáveis. Não adianta condenar o ladrão e passar pano para o ladrão do próprio lado. Não adianta denunciar a mentira do adversário e aplaudir a mentira do aliado. Não adianta falar em família, ética, moral e honestidade enquanto se aceita o contrário quando convém politicamente.
O voto é livre, mas não é isento de consequências. Cada eleitor tem o direito de escolher, mas também tem o dever moral de examinar aquilo que está legitimando. Antes de apertar a tecla da urna, pergunte a si mesmo: estou votando por princípios ou por conveniência? Estou cobrando coerência de todos ou apenas daqueles de quem discordo?
Porque o problema não é somente quem se apresenta como candidato. É também o que a sociedade aceita, tolera, justifica e coloca no poder.
Na política, como na vida, caráter não se mede pelo discurso que se faz contra o adversário, mas pelos princípios que se mantêm quando o erro é cometido por alguém do próprio lado.
(*) O analista político e cronista Mário Plaka é sócio fundador da Associação Brasileira de Jornalistas Independentes (AJOIA Brasil)























