Carta de Notícias
  • Gerais
  • Colunistas
    • Mário Plaka
    • William Saliba
  • Opinião
    • Amauri Meireles
    • Flávia Presoti
    • Ricardo Ramos
    • Vitor Bizarro
  • Vídeos
  • Expediente
  • Fale Conosco
  • Login
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Carta de Notícias
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Home Colunistas Mário Plaka

Quando a confiança vira poder absoluto; cerca que passa um boi, passa uma boiada

O ditado popular é antigo, mas descreve com precisão inquietante a realidade institucional brasileira dos últimos tempos

Redação por Redação
8 de janeiro de 2026
em Mário Plaka
Tempo de Leitura: 3 minutos de leitura
A A
0
Quando a confiança vira poder absoluto; cerca que passa um boi, passa uma boiada

Quando a confiança vira poder absoluto (Foto: TV Brasil)

Compartilhar no WhatsAppCompartilhar no Facebook

Por Mário Plaka (*)

O que causa apreensão não é apenas o debate político em si — saudável em qualquer democracia —, mas a concentração progressiva de poder em cargos que não são eletivos, exercidos por pessoas que não receberam mandato direto do povo, mas que passaram a decidir sobre temas sensíveis da vida nacional com amplitude quase ilimitada.


Refiro-me aos chamados cargos de confiança: ministros, desembargadores, secretários, dirigentes de autarquias e conselhos superiores. São posições ocupadas por indicação política, legitimadas indiretamente pelo voto concedido a quem os nomeia, mas não chanceladas diretamente pelas urnas.

O problema não está na existência desses cargos — previstos no ordenamento jurídico —, mas no momento em que a confiança institucional se converte em poder absoluto, e o indicado passa a agir como se detivesse conhecimento supremo, autoridade incontestável e presença ilimitada, enquanto todos os demais — técnicos, conselhos profissionais e até instituições — são tratados como irrelevantes ou incapazes.

Essa percepção, ainda que expressa aqui no campo da opinião, merece reflexão séria.

O episódio envolvendo o Conselho Federal de Medicina

Nesse contexto, chama atenção a recente decisão judicial envolvendo o Conselho Federal de Medicina (CFM), que, no exercício de suas atribuições legais, manifestou-se sobre as condições de atendimento médico prestado ao ex-presidente Jair Messias Bolsonaro.

É importante registrar, com responsabilidade, que o CFM não atua politicamente, mas como órgão de fiscalização ética e técnica da medicina, função que lhe é conferida por lei. Ao questionar procedimentos médicos, o Conselho atua dentro de sua competência institucional, independentemente de quem seja o paciente.

A decisão judicial que anulou a iniciativa do CFM proibiu novas apurações e determinou providências contra dirigentes da entidade foi recebida por parte da sociedade com preocupação legítima, sobretudo pelo impacto simbólico que produz: a impressão de que opiniões técnicas podem ser judicialmente constrangidas quando desagradam.

Não se trata aqui de juízo pessoal sobre intenções, mas de análise crítica dos efeitos institucionais de decisões que, ao restringirem a atuação de conselhos profissionais, podem gerar insegurança jurídica e inibição técnica.

Separação de funções e respeito institucional

O equilíbrio entre os Poderes e entre as instituições da República depende do respeito às competências específicas de cada órgão. Quando magistrados decidem, médicos avaliam; quando conselhos fiscalizam, o fazem dentro da lei; quando excessos existem, devem ser corrigidos pelos meios legais adequados.

A crítica que aqui se faz — protegida pelo direito constitucional à liberdade de expressão e de opinião — é que a sobreposição de funções e a personalização do poder fragilizam o ambiente democrático e ampliam tensões sociais desnecessárias.

Nenhuma autoridade, por mais elevada que seja sua função, pode concentrar em si atributos que pertencem à coletividade institucional do Estado.

O julgamento da história

Decisões públicas sempre serão analisadas pelo tempo. O futuro observará este período e questionará se o país conseguiu preservar o diálogo institucional, a autonomia técnica e o pluralismo de ideias.

O constrangimento de conselhos profissionais, a intimidação indireta de técnicos e o silêncio de entidades que tradicionalmente defendem prerrogativas profissionais geram inquietação social — e inquietação, quando ignorada, corrói a confiança pública.

Uma advertência necessária

Conselhos existem para proteger a sociedade, não para confrontar o Estado. Da mesma forma, o Estado existe para garantir direitos, não para inibir o exercício técnico responsável.

Onisciência, onipotência e onipresença não são atributos humanos ou institucionais. São conceitos teológicos. Quando o poder terreno se aproxima dessas pretensões, o risco não é político — é civilizatório.

Este texto não busca atacar pessoas, mas provocar reflexão institucional, no interesse público, dentro dos limites da crítica legítima e democrática.

Porque decisões públicas devem produzir segurança, estabilidade e paz social — nunca medo, autocensura ou divisão permanente.

(*) Mário Plaka é empresário em Coronel Fabriciano e membro fundador da Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Afiliados (Ajoia-Brasil)
Tag: cargos de confiançaconcentração de poderdebate políticodemocraciapovo
Postagem anterior

Lewandowski deixa o Ministério da Justiça; saída deve ser oficializada nesta sexta

Próxima postagem

Comédia romântica com Renata Samek e Guilherme Leicam estreia no Vale do Aço

Leia também

A máfia não é abstrata: ela tem CPF
Mário Plaka

A máfia não é abstrata: ela tem CPF

6 de outubro de 2026
Cachorro mordido por cobra tem medo de linguiça
Mário Plaka

Cachorro mordido por cobra tem medo de linguiça

5 de outubro de 2026
A caneta maldita
Mário Plaka

A caneta maldita

2 de outubro de 2026
Powered by the Tomorrow.io Weather API
JORNALISMO COM CREDIBILIDADE                

** Os artigos de opinião, assinados, expressam a visão do autor e não necessariamente a linha editorial do portal Carta de Notícias.

Expediente:

CN Multimidia e Marketing Ltda.
CNPJ: 36.360.043/0001-25

Conselho Editorial: Antônio William Saliba, William Argolo Saliba e Cid Miranda

CEO:
William Argolo
- (31) 98600-3599
E-mail: financeiro@cartadenoticias.com.br

Direção de Jornalismo: William Saliba - (31) 98744-3030
E-mail: awsaliba@cartadenoticias.com.br

Redação
E-mail: redacao@cartadenoticias.com.br
WhatsApp: (31) 98744-3030

Assessoria Jurídica:
Vitor Bizarro
- (31) 98828-9999
E-mail: juridico@cartadenoticias.com.br

Publicações Mais Recentes:

  • Encerra em outubro temporada de visitas guiadas à Estação de Pedra Mole

    Encerra em outubro temporada de visitas guiadas à Estação de Pedra Mole

    6 de outubro de 2026
  • Fiemg abre curso online sobre gestão do tempo

    Fiemg abre curso online sobre gestão do tempo

    6 de outubro de 2026
  • Presidente da Cenibra concorre a premiação estadual de liderança

    Presidente da Cenibra concorre a premiação estadual de liderança

    6 de outubro de 2026
  • Grupo Farroupilha apresenta espetáculo gratuito na Estação Memória

    Grupo Farroupilha apresenta espetáculo gratuito na Estação Memória

    6 de outubro de 2026
  • Raul Teixeira apresenta palestra espírita em Ipatinga

    Raul Teixeira apresenta palestra espírita em Ipatinga

    6 de outubro de 2026

2026 © CARTA DE NOTÍCIAS - Todos os Direitos Reservados. - Desenvolvido por: Lucca Tecnologia - Hospedado por: Onex Data Center

Gerenciar o Consentimento
Para fornecer as melhores experiências, usamos tecnologias como cookies para armazenar e/ou acessar informações do dispositivo. O consentimento para essas tecnologias nos permitirá processar dados como comportamento de navegação ou IDs exclusivos neste site. Não consentir ou retirar o consentimento pode afetar negativamente certos recursos e funções.
Funcional Sempre ativo
O armazenamento ou acesso técnico é estritamente necessário para a finalidade legítima de permitir a utilização de um serviço específico explicitamente solicitado pelo assinante ou utilizador, ou com a finalidade exclusiva de efetuar a transmissão de uma comunicação através de uma rede de comunicações eletrónicas.
Preferências
O armazenamento ou acesso técnico é necessário para o propósito legítimo de armazenar preferências que não são solicitadas pelo assinante ou usuário.
Estatísticas
O armazenamento ou acesso técnico que é usado exclusivamente para fins estatísticos. O armazenamento técnico ou acesso que é usado exclusivamente para fins estatísticos anônimos. Sem uma intimação, conformidade voluntária por parte de seu provedor de serviços de Internet ou registros adicionais de terceiros, as informações armazenadas ou recuperadas apenas para esse fim geralmente não podem ser usadas para identificá-lo.
Marketing
O armazenamento ou acesso técnico é necessário para criar perfis de usuário para enviar publicidade ou para rastrear o usuário em um site ou em vários sites para fins de marketing semelhantes.
  • Gerenciar opções
  • Gerenciar serviços
  • Gerenciar {vendor_count} fornecedores
  • Leia mais sobre esses objetivos
Ver Preferências
  • {title}
  • {title}
  • {title}
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Gerais
  • Colunistas
    • Mário Plaka
    • William Saliba
  • Opinião
    • Amauri Meireles
    • Flávia Presoti
    • Ricardo Ramos
    • Vitor Bizarro
  • Vídeos
  • Expediente
  • Fale Conosco
  • Login

2026 © CARTA DE NOTÍCIAS - Todos os Direitos Reservados. - Desenvolvido por: Lucca Tecnologia - Hospedado por: Onex Data Center

Not enough quota to unlock this post
Unlock left : 0
Are you sure want to cancel subscription?