O Brasil voltou a registrar desempenho insatisfatório no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) de 2025, divulgado nesta terça-feira (10) pela organização Transparência Internacional. O país obteve 35 pontos em uma escala que vai de 0 (maior percepção de corrupção) a 100 (menor percepção), repetindo a segunda pior nota de sua série histórica. No ranking geral, ficou na 107ª posição entre 182 países avaliados.
A pontuação brasileira permanece abaixo da média global e também da média das Américas, ambas fixadas em 42 pontos. A variação de um ponto em relação ao levantamento anterior foi considerada estatisticamente irrelevante, o que, segundo a entidade, indica um quadro de estagnação.
O IPC é considerado o principal indicador internacional sobre a percepção de corrupção no setor público. No topo da lista aparecem países como Dinamarca, Finlândia e Singapura, que mantêm avaliações elevadas e figuram entre os menos afetados por práticas ilícitas segundo os critérios do levantamento.
Desde 2015, o Brasil permanece abaixo das médias global e regional, sem avanços significativos no indicador.
Além do ranking, a Transparência Internacional publicou o relatório “Retrospectiva 2025”, no qual destaca o que classifica como aprofundamento da influência do crime organizado em estruturas do Estado brasileiro. O documento menciona episódios de macrocorrupção, incluindo esquemas associados ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e ao Banco Master.
De acordo com a organização, investigações recentes evidenciaram fragilidades estruturais em áreas como o sistema financeiro e a advocacia, considerados setores estratégicos para a circulação de recursos ilícitos.
EMENDAS PARLAMENTARES E CONTROLE ORÇAMENTÁRIO
O relatório também chama atenção para o crescimento das emendas parlamentares, que superaram R$ 60 bilhões no orçamento de 2026. Segundo a entidade, o volume recorde consolida maior influência do Legislativo sobre a execução de recursos públicos, movimento que, na avaliação da ONG, vem se expandindo para Estados e municípios.
Ainda no documento, são citadas suspeitas envolvendo contratos de alto valor firmados pelo Banco Master com escritórios de advocacia ligados a autoridades do Supremo Tribunal Federal (STF). A organização defende a realização de apurações independentes e sugere a adoção de um código de conduta específico para o Judiciário, além do fortalecimento de mecanismos de integridade nos três Poderes.
No ranking de 2025, o Brasil aparece ao lado de países como Sri Lanka e Argentina, que apresentam pontuações semelhantes no índice.























