Minas Gerais volta ao centro da disputa pela Presidência da República com a preparação de novas agendas de campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A poucos dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro, os dois candidatos pretendem ampliar o apoio entre os eleitores mineiros, em um estado considerado decisivo para o resultado nacional.
Lula tem previstas carreatas em Juiz de Fora e Ipatinga na sexta-feira (16). Já Flávio Bolsonaro deve participar, em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, do evento conhecido como “Bloco do 22”, organizado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL). Até o momento, porém, a presença do senador no ato ainda depende de confirmação oficial de sua equipe de campanha.
Resultado do primeiro turno orienta estratégias
A movimentação dos candidatos é influenciada pelo desempenho registrado nas urnas no primeiro turno. Em Minas Gerais, Flávio Bolsonaro obteve 48,24% dos votos, contra 43,33% de Lula, abrindo uma vantagem de 588.612 votos sobre o adversário.
A campanha petista avalia que há espaço para reduzir essa diferença e buscar uma virada no estado. Para isso, a estratégia inclui reforçar a presença em municípios considerados importantes para a disputa e destacar ações do governo federal com repercussão regional.
No campo bolsonarista, a intenção é ampliar a vantagem conquistada em parte do eleitorado mineiro e avançar em cidades nas quais Lula obteve melhor desempenho na primeira votação.
Ipatinga entra no roteiro petista
A passagem de Lula por Ipatinga tem peso estratégico para a campanha. Principal município do Vale do Aço, a cidade já foi uma importante base eleitoral do PT, especialmente pela influência histórica do movimento sindical na região. Nos últimos anos, entretanto, o partido perdeu espaço para o campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O resultado do primeiro turno de 2026 reforçou essa mudança. Flávio Bolsonaro recebeu 61,11% dos votos em Ipatinga, enquanto Lula alcançou 31,47%. A campanha petista pretende reduzir a diferença por meio de ações direcionadas ao eleitorado local e da divulgação de iniciativas federais, entre elas a entrega de novos ônibus para o transporte público municipal.
Em Juiz de Fora, a estratégia é diferente. Como Lula venceu a primeira etapa da eleição no município, com 49,58% dos votos, o objetivo dos aliados é ampliar a vantagem e fortalecer o desempenho do presidente na Zona da Mata.
PL planeja atos em diferentes regiões
Flávio Bolsonaro também deve intensificar as atividades em Minas Gerais até o encerramento da campanha. Além de Araçuaí, estão previstos atos em Nanuque, Belo Horizonte e Juiz de Fora, embora parte da programação ainda dependa de confirmação.
Os resultados do primeiro turno ajudam a explicar a escolha dos municípios. Flávio venceu em Belo Horizonte e Nanuque, enquanto Lula ficou à frente em Araçuaí e Juiz de Fora. A estratégia do PL é, portanto, preservar o apoio onde o senador teve melhor desempenho e avançar nas localidades em que ficou atrás do adversário.
Nikolas Ferreira e outras lideranças políticas devem participar das mobilizações. Em mensagem de áudio divulgada no canal “Tropa do Flávio”, no WhatsApp, o deputado explicou que a seleção das cidades considera tanto a consolidação de votos quanto a possibilidade de reverter resultados desfavoráveis.
“Não vamos só potencializar os locais que já são nossos, mas fazer uma virada de votos nos locais principais que o Flávio ficou um pouco atrás do Lula”, afirmou o parlamentar.
Além dos eventos organizados pelo deputado, integrantes do PL articulam iniciativas próprias em regiões onde possuem bases eleitorais.
Novas visitas ainda estão em negociação
As agendas previstas para esta semana podem ser seguidas por novos compromissos dos candidatos em Minas Gerais. No entorno de Flávio Bolsonaro, há expectativa de uma nova visita a Juiz de Fora em 24 de outubro, véspera da votação, além do interesse de lideranças do partido em uma atividade na capital mineira.
Entre os aliados de Lula, há articulações para uma possível visita ao Vale do Jequitinhonha e para um novo compromisso em Belo Horizonte. No primeiro turno, o presidente realizou três mobilizações de campanha na capital.
Com o calendário eleitoral próximo do fim, os candidatos terão poucos dias para ampliar suas bases de apoio. Além da disputa direta entre os dois, as campanhas também buscam conquistar eleitores que não compareceram às urnas ou votaram em branco ou nulo no primeiro turno, um contingente superior a quatro milhões de pessoas em Minas Gerais, segundo os dados mencionados no levantamento que embasa a reportagem.
A capacidade de mobilizar esse eleitorado e alterar a distribuição dos votos entre as principais regiões do estado poderá influenciar o resultado da disputa presidencial em Minas e, consequentemente, o cenário nacional.























