A Polícia Federal (PF) rejeitou a proposta inicial de delação premiada apresentada pelo empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, preso preventivamente desde março sob suspeita de envolvimento em fraudes financeiras. A decisão foi tomada após investigadores avaliarem que os relatos fornecidos pelo ex-banqueiro não contribuíram de forma suficiente para o avanço das investigações.
Mesmo após a negativa da PF, a defesa de Vorcaro mantém conversas com a Procuradoria-Geral da República (PGR) na tentativa de firmar um acordo de colaboração.
Segundo fontes ligadas à investigação, os depoimentos apresentados pela defesa foram considerados “seletivos” por deixarem de abordar pontos considerados centrais no inquérito. Um dos episódios citados pelos investigadores envolve o senador Ciro Nogueira, que teria recebido vantagens indevidas relacionadas ao caso — informação que, conforme a apuração, não teria sido mencionada por Vorcaro durante as tratativas iniciais.
A avaliação interna da PF é de que a colaboração apresentada até agora não ofereceu elementos capazes de ampliar significativamente o entendimento sobre o esquema investigado.
EMENDA SOBRE O FGC ENTROU NA MIRA DA INVESTIGAÇÃO
Outro ponto apurado pelos investigadores envolve uma proposta legislativa apresentada por Ciro Nogueira para ampliar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), passando de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A suspeita é de que integrantes ligados ao Banco Master tenham participado da elaboração da medida.
O FGC é responsável por garantir depósitos e aplicações financeiras de clientes em caso de quebra de instituições bancárias.
Nos bastidores, interlocutores envolvidos nas negociações afirmam que uma eventual colaboração de Vorcaro pode atingir diversos setores do mercado financeiro e da administração pública. Há expectativa de que os depoimentos incluam informações sobre operadores financeiros, agentes públicos e possíveis articulações políticas relacionadas ao caso.
Relatos também indicam que os ministros do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli e Alexandre de Moraes podem ser mencionados nas declarações, embora não haja detalhes oficiais sobre o teor dessas possíveis citações.
DEFESA BUSCA PROTEÇÃO PARA FAMILIARES
Entre os termos discutidos nas negociações com a PGR, a defesa do ex-banqueiro tenta assegurar proteção jurídica para familiares próximos, especialmente o pai e a irmã de Vorcaro. O objetivo seria impedir que movimentações financeiras atribuídas ao empresário resultem em responsabilizações indiretas de parentes durante o andamento das investigações.
De acordo com pessoas próximas às tratativas, Vorcaro estaria disposto a admitir práticas relacionadas à lavagem de dinheiro, mas rejeita a acusação de participação em organização criminosa.
Há ainda a possibilidade de que os desdobramentos da investigação alcancem outras instituições financeiras, entre elas o Banco Regional de Brasília, citado nos bastidores do caso.























