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Romeu Zema anuncia renúncia ao governo de Minas e deixa cargo no dia 22 de março

Em carta à Assembleia Legislativa, governador afirma ter “missão cumprida” e sinaliza atuação em âmbito nacional

Cid Miranda por Cid Miranda
20 de março de 2026
em Gerais
Tempo de Leitura: 4 minutos de leitura
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Romeu Zema anuncia renúncia ao governo de Minas e deixa cargo no dia 22 de março

Romeu Zema anuncia renúncia ao governo de Minas (Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG)

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O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, anunciou nesta semana que vai renunciar ao cargo a partir do próximo domingo, 22 de março. A decisão foi formalizada por meio de uma carta enviada à Assembleia Legislativa e lida durante a sessão plenária de quarta-feira (18), na qual o chefe do Executivo estadual afirma deixar a função com “gratidão” e a sensação de dever cumprido após mais de cinco anos à frente do Estado.

No documento, encaminhado aos deputados estaduais, Zema relembra o cenário encontrado ao assumir o governo em 2019, marcado por crise fiscal, atrasos no pagamento de servidores e dificuldades na prestação de serviços públicos. Segundo ele, a gestão teve como foco reorganizar as contas e restabelecer o funcionamento da máquina pública.


Ao longo da carta, o governador destaca medidas adotadas durante o mandato, como a regularização dos salários do funcionalismo e a reestruturação administrativa. Ele afirma que Minas Gerais “voltou a ficar de pé” e menciona a recuperação da confiança da população como um dos principais resultados da gestão.

Zema também faz referência à reeleição em primeiro turno, em 2022, que classifica como um reconhecimento ao trabalho realizado. “Deixo o governo com a sensação de missão cumprida”, escreveu.

SINALIZAÇÃO DE NOVOS RUMOS

Na mesma carta, o governador indica que a decisão de renunciar está relacionada a um contexto político mais amplo. Sem anunciar diretamente planos futuros, ele menciona preocupação com o cenário nacional e afirma que o país enfrenta desafios semelhantes aos vividos por Minas antes de 2019, citando temas como corrupção e dificuldades econômicas.

O agora ex-governador também ressalta sua trajetória fora da política antes de assumir o cargo, destacando a origem empresarial e a motivação inicial para ingressar na vida pública.

TRANSIÇÃO DE GOVERNO

Com a renúncia, o vice-governador Mateus Simões deve assumir o comando do Estado. Na carta, Zema afirma confiar na continuidade da gestão e na condução administrativa por parte do sucessor.

Ele ainda agradece à Assembleia Legislativa pela relação institucional ao longo do mandato e reconhece o papel dos deputados, especialmente nos momentos considerados mais desafiadores da administração estadual.

Ao encerrar a mensagem, Zema faz um agradecimento à população mineira pelo apoio e pela confiança durante o período em que esteve à frente do governo, afirmando que Minas Gerais “estará sempre” em sua trajetória.

LEIA A CARTA NA ÍNTEGRA:

“Carta de Renúncia do Governador de Minas Gerais Romeu Zema

À Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais

Senhor Presidente,

Senhoras e Senhores Deputados,

Dirijo-me a esta Casa para comunicar, de forma respeitosa e transparente, minha decisão de renunciar ao cargo de Governador do Estado de Minas Gerais, a partir do próximo dia 22 de março. Faço isso com o coração cheio de gratidão aos mineiros e com profundo respeito a esta Assembleia Legislativa, que teve papel fundamental nos momentos mais desafiadores que enfrentamos juntos ao longo destes anos.

Quando assumi o governo em 2019, Minas Gerais atravessava um dos períodos mais difíceis de sua história. O Estado estava desorganizado, incapaz de pagar seus servidores em dia, com serviços públicos comprometidos e com uma dívida gigantesca que limitava severamente a capacidade de ação do governo.

Mais do que a crise financeira, havia um sentimento que doía em todos nós: pela primeira vez, muitos mineiros sentiam vergonha da situação do nosso Estado.

Foi esse sentimento que me trouxe para a política. Eu era um empresário que nunca havia ocupado um cargo público, mas, como tantos outros mineiros, estava indignado com o que estava acontecendo com Minas Gerais.

Com o apoio do povo mineiro, fui eleito em 2018 com uma missão clara: fazer o governo trabalhar para quem sustenta o Estado – para os mineiros – e não para quem vive às custas dele.

Ao longo desses anos, enfrentamos enormes dificuldades, mas avançamos juntos.

Colocamos ordem na casa. Recuperamos as contas do Estado. Voltamos a pagar os servidores em dia. Reorganizamos serviços e mostramos que é possível governar com responsabilidade, respeito ao dinheiro público e foco em quem realmente paga aconta.

Mais do que isso, Minas voltou a ficar de pé.

E, talvez a maior alegria de todas, os mineiros voltaram a sentir orgulho de ser mineiros.

Por isso, recebi com enorme gratidão a reeleição em primeiro turno em 2022, um reconhecimento que pertence não a mim, mas a todos os mineiros que acreditaram que era possível mudar.

Hoje deixo o governo com a sensação de missão cumprida.

Mas o mesmo sentimento que me levou a disputar as eleições em Minas em 2018 também fala alto neste momento em relação ao Brasil.

Vejo um país novamente tomado pela indignação.

Escândalos de corrupção se sucedem. Uma turma de intocáveis tenta se blindar e se colocar acima do povo. O governo do PT parece cada vez mais voltado para si mesmo, enquanto milhões de brasileiros lutam para fechar as contas no fim do mês. O dinheiro do brasileiro vale cada vez menos.

Cresce no país um sentimento muito parecido com aquele que vimos em Minas Gerais antes da mudança que começamos em 2019. Sou, antes de tudo, um brasileiro comum. Um mineiro que cresceu trabalhando, estudando e empreendendo, como milhões de brasileiros fazem todos os dias. Minha família chegou ao Brasil vinda da Itália, pobre, para trabalhar na roça no interior de São Paulo. Foi aqui que construímos nossas vidas. Foi este país que nos deu oportunidades. Sinto, portanto, que chegou o momento de retribuir ainda mais ao Brasil tudo aquilo que ele deu à minha família. É com esse espírito de serviço que deixo o governo de Minas Gerais.

Tenho plena confiança de que o vice-governador Mateus Simões dará continuidade ao trabalho que iniciamos juntos eseguirá conduzindo Minas com seriedade, responsabilidade e compromisso com os mineiros.

Agradeço profundamente a esta Assembleia Legislativa pela parceria institucional ao longo destes anos. Mesmo nos momentos mais difíceis, prevaleceu o compromisso com Minas Gerais.

E agradeço, acima de tudo, ao povo mineiro pela confiança, pelo apoio e pela oportunidade de servir.

Minas estará sempre no meu coração.”

Tag: Assembleia LegislativagovernadorrenúnciaRomeu Zema
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