Uma delegação formada por representantes da Dinamarca e da Groenlândia chegou à Casa Branca nesta quarta-feira (14) para reuniões com altos integrantes do governo dos Estados Unidos, poucas horas depois de o presidente Donald Trump reafirmar publicamente que considera a Groenlândia “vital” para a segurança nacional americana. O encontro acontece em um momento de crescente tensão diplomática envolvendo o futuro do território autônomo dinamarquês no Ártico.
Segundo imagens divulgadas pela emissora CNN, participaram da comitiva o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, e a ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt. A agenda inclui reuniões com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e com o secretário de Estado, Marco Rubio.
Desde que reassumiu a Presidência, Trump voltou a defender a ideia de que os Estados Unidos deveriam assumir o controle da Groenlândia, considerada estratégica por sua localização no Ártico e por sua relevância militar. O discurso ganhou novos contornos após o ataque americano ocorrido na Venezuela, no início de janeiro, que resultou na deposição do presidente Nicolás Maduro.
Em declarações recentes, Trump afirmou que o território é essencial para a segurança interna do país e para projetos de defesa em andamento. Em publicações nas redes sociais, o presidente também sugeriu que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) seria mais forte com a Groenlândia sob controle americano, além de cobrar diretamente uma retirada da Dinamarca da região.
A postura gerou reações imediatas de líderes europeus. O presidente da França, Emmanuel Macron, alertou que qualquer violação da soberania da Groenlândia poderia provocar consequências inéditas no cenário internacional. Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que o território pertence a seus habitantes e manifestou apoio à população local.
O ministro dinamarquês Lars Løkke Rasmussen afirmou, antes do encontro, que espera esclarecer o que classificou como “mal-entendidos”, embora não esteja claro se a administração americana compartilha dessa avaliação. Questionado sobre declarações do primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, que defende a permanência do status de autonomia dentro do Reino da Dinamarca, Trump respondeu de forma dura, afirmando que isso poderia se tornar “um grande problema”.
A Groenlândia possui cerca de 57 mil habitantes e uma área de 2,16 milhões de quilômetros quadrados. Caso fosse incorporada aos Estados Unidos, o país se tornaria o segundo maior do mundo em extensão territorial, atrás apenas da Rússia.
O governo americano sustenta que a presença dos EUA na ilha é necessária para evitar um avanço estratégico de Rússia ou China no Ártico, região que tem atraído maior interesse internacional devido ao derretimento das calotas polares. Moscou e Pequim, no entanto, intensificaram atividades na região sem reivindicar formalmente o território groenlandês.
Em resposta às pressões, a Dinamarca anunciou que ampliará sua presença militar na Groenlândia e defendeu uma atuação mais robusta da Otan no Ártico. O ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, informou que o país continuará investindo no reforço de suas capacidades militares na região. A Suécia também anunciou o envio de tropas para exercícios conjuntos, a pedido de Copenhague.
Analistas avaliam que o tom adotado por Washington pode influenciar o desfecho das conversas. Para especialistas em política internacional, a disposição para o diálogo dependerá da postura adotada pelos Estados Unidos durante as negociações.
A Dinamarca rejeita as acusações de que não protege adequadamente a Groenlândia e afirma ter investido cerca de US$ 14 bilhões no fortalecimento de sua presença militar no Ártico. Membro fundador da Otan, o país destaca ainda sua atuação conjunta com os Estados Unidos em missões militares no Afeganistão e no Iraque.























