O governo do Irã confirmou, nesta quinta-feira (19), a execução de três homens condenados por envolvimento nos protestos de janeiro contra o regime. Segundo autoridades judiciais, os presos foram responsabilizados pela morte de dois agentes de segurança durante as manifestações.
De acordo com a agência Mizan, ligada ao Judiciário iraniano, as execuções ocorreram por enforcamento na cidade de Qom. Os condenados — Mehdi Ghasemi, Saleh Mohammadi e Saeid Davudi — foram sentenciados com base no crime de moharebeh, termo jurídico que pode ser traduzido como “inimizade contra Deus” e costuma ser aplicado a acusações relacionadas à segurança do Estado e espionagem.
As autoridades afirmam que os três atacaram os agentes com armas brancas e confessaram os crimes ao longo do processo. Ainda segundo a Justiça, as execuções foram realizadas após a confirmação das sentenças pelo Supremo Tribunal e a conclusão de todos os trâmites legais, com a presença de advogados de defesa.
REPRESSÃO E NÚMEROS DIVERGENTES
Os protestos, que pediam o fim da República Islâmica, foram reprimidos com violência. O governo iraniano contabiliza 3.117 mortos durante os confrontos, enquanto organizações independentes, como a HRANA, apontam que o número pode ultrapassar 7 mil vítimas. Estima-se ainda que cerca de 53 mil pessoas tenham sido detidas no período.
A resposta das autoridades iranianas tem sido alvo de críticas internacionais e aumentou a pressão de países como os Estados Unidos, que pedem a revisão de penas de morte relacionadas às manifestações. Segundo a Casa Branca, negociações diplomáticas chegaram a suspender centenas de execuções previstas.
Dados da Organização das Nações Unidas indicam que o Irã executou cerca de 1.500 pessoas em 2025, um aumento de 50% em relação ao ano anterior.
Em meio ao cenário de tensão, a Suécia confirmou que um de seus cidadãos também foi executado pelo regime iraniano. A informação foi divulgada pela ministra das Relações Exteriores, Maria Malmer Stenergard, na quarta-feira (18).
O homem era acusado de espionagem a favor de Israel. Segundo o governo iraniano, ele teria sido detido durante a guerra de junho do ano passado e mantido contato com agentes israelenses, além de receber treinamento em países europeus e em Tel Aviv.
As autoridades suecas afirmam que tentaram intervir diplomaticamente em diferentes níveis, mas o Irã negou acesso consular, alegando não reconhecer a dupla cidadania do acusado.
As execuções ocorrem em um contexto de crescente tensão no Oriente Médio, agravado por conflitos recentes envolvendo o Irã, Israel e os Estados Unidos.























