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Onda de violência em 20 Estados do México deixa mais de 60 mortos

Confrontos, incêndios e bloqueios se espalham após captura e morte do líder do Cartel Jalisco Nueva Generación

Cid Miranda por Cid Miranda
24 de fevereiro de 2026
em Mundo
Tempo de Leitura: 3 minutos de leitura
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Onda de violência em 20 Estados do México deixa mais de 60 mortos

Colunas de fumaça se ergueram ao longo da orla de Puerto Vallarta (Foto: Shutterstock)

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A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, provocou uma escalada de violência em pelo menos 20 Estados do México e deixou ao menos 68 mortos, segundo dados divulgados pelo governo mexicano. Entre as vítimas estão 25 integrantes da Guarda Nacional. O líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) morreu no domingo (22), após ser capturado por forças especiais no Estado de Jalisco.

De acordo com as autoridades, Oseguera foi localizado em uma propriedade na cidade de Tapalpa. A operação terminou em confronto entre militares e seguranças do traficante. Ele ficou gravemente ferido e morreu sob custódia enquanto era transferido para a capital, a Cidade do México.


Após a confirmação da morte, integrantes do cartel iniciaram ataques coordenados em diferentes regiões do país. Houve registros de incêndios a estabelecimentos comerciais, bancos e farmácias, além de bloqueios em rodovias com veículos incendiados.

Em algumas cidades, criminosos espalharam pregos e objetos perfurantes nas pistas para dificultar a circulação de viaturas policiais. Ônibus e carros foram tomados e queimados no meio das vias, criando cenários de tensão e interrompendo o tráfego por horas.

Somente em Jalisco, oito pessoas morreram durante a operação que resultou na captura do líder. Nos confrontos posteriores ligados à onda de violência, outras 30 pessoas associadas a grupos criminosos morreram, além de um agente penitenciário, um servidor da Procuradoria estadual e uma mulher civil.

REFORÇO MILITAR

Diante da crise, o governo federal anunciou o envio de 2.500 militares adicionais para o oeste do país. Eles se somam aos 7 mil soldados e agentes do Exército e da Guarda Nacional já mobilizados em Jalisco desde o domingo.

O secretário da Defesa Nacional, Ricardo Trevilla Trejo, informou que a localização do traficante foi possível após o monitoramento de uma pessoa ligada a uma de suas companheiras. Segundo o relato oficial, o líder permaneceu na propriedade sob forte esquema de segurança até o momento da ação militar.

A violência se espalhou rapidamente para municípios onde o CJNG mantém presença ativa. Moradores registraram colunas de fumaça em diferentes localidades, incluindo o balneário de Puerto Vallarta, destino turístico conhecido na costa do Pacífico.

Na capital de Jalisco, Guadalajara — uma das cidades que sediarão jogos da Copa do Mundo FIFA de 2026 — passageiros no aeroporto foram vistos correndo e se deitando no chão após relatos de disparos na rodovia próxima ao terminal. Cerca de 300 turistas ficaram retidos depois do cancelamento de voos e foram levados ao centro da cidade sob escolta policial. Autoridades negaram que tenha havido tiros dentro do aeroporto.

Aulas foram suspensas em vários Estados, e pelo menos quatro partidas de futebol previstas para o domingo foram canceladas por motivos de segurança. Em diversas cidades, autoridades recomendaram que a população permanecesse em casa, o que resultou em ruas vazias e comércio fechado.

QUEM ERA “EL MENCHO”

Após a prisão e extradição de Joaquín Guzmán, conhecido como “El Chapo”, para os Estados Unidos em 2017, Oseguera Cervantes passou a ser considerado um dos principais alvos das forças de combate ao narcotráfico no México.

Natural da região de Tierra Caliente, no Estado de Michoacán, ele migrou para os Estados Unidos na década de 1980. Após detenções por delitos menores na Califórnia e envolvimento com tráfico de drogas, foi deportado para o México no início dos anos 1990.

De volta ao país, trabalhou na polícia municipal de Jalisco antes de se aproximar de Armando Valencia Cornelio, líder do extinto cartel Los Valencia. Com o enfraquecimento de grupos rivais e a fragmentação de antigas organizações criminosas, Oseguera consolidou o Cartel Jalisco Nueva Generación como uma das maiores estruturas do narcotráfico mexicano.

O grupo expandiu suas operações para além do tráfico tradicional, com foco na produção e exportação de drogas sintéticas, especialmente anfetaminas destinadas aos mercados dos Estados Unidos e da Europa. Autoridades apontavam o cartel como uma das organizações mais violentas do país, com elevado poder de armamento e presença em grande parte do território mexicano.

A morte de seu líder agora abre um novo capítulo na disputa pelo controle de áreas estratégicas do narcotráfico, enquanto o governo tenta conter os desdobramentos da ofensiva e restaurar a normalidade nas regiões afetadas.

*Com informações BBC
Tag: cartelconfrontosMéxicoviolência
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