O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (2) que o país ainda não empregou todo o seu potencial militar contra o Irã e que uma ofensiva mais intensa “está chegando”. Em entrevistas concedidas a emissoras e veículos internacionais, o republicano declarou que as forças americanas estão “indo muito bem” e “massacrando” o adversário, mas sinalizou que a escalada pode ganhar novos contornos nos próximos dias.
Em conversa com a CNN, Trump disse que “a grande onda ainda nem chegou” e que os Estados Unidos ainda não atingiram o Irã “com força”. Ele também afirmou que não descarta o envio de tropas ao território iraniano, caso considere necessário.
Em entrevista ao jornal britânico The Telegraph, o presidente afirmou ter ficado surpreso com a rapidez das ações conjuntas dos Estados Unidos e de Israel. Segundo ele, a expectativa inicial era de que a neutralização de parte da liderança iraniana levasse de duas a quatro semanas, mas teria ocorrido em prazo significativamente menor.
Trump citou diretamente o aiatolá Ali Khamenei, morto no último sábado (28), e afirmou que as operações aconteceram “muito antes do previsto”. Ele declarou ainda que os iranianos “realmente querem fechar um acordo”, mas que a oportunidade teria sido desperdiçada.
Em outra entrevista, à ABC News, o presidente norte-americano afirmou que, há um ano, estaria disposto a aceitar propostas iranianas para um novo acordo nuclear. Contudo, disse que o cenário mudou após o que classificou como “sucesso” na Venezuela, o que o teria deixado “menos aberto a concessões”.
TRANSIÇÃO NO COMANDO IRANIANO
Após a morte de Khamenei, o Irã iniciou o processo para definição de um novo líder supremo. O clérigo Alireza Arafi, recém-eleito membro do conselho de liderança provisório, declarou à televisão estatal iraniana que a nomeação deverá ocorrer “rapidamente”.
A escolha cabe à Assembleia de Peritos, órgão composto por 88 membros, majoritariamente clérigos, responsável por designar o líder supremo da República Islâmica. Até o momento, não há um sucessor oficialmente definido.
Arafi integra o conselho provisório ao lado do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e do chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei. Segundo ele, as instituições do país continuam funcionando “apesar das circunstâncias extremamente difíceis”.
PAÍSES DO GOLFO REAGEM
Em meio à escalada, países árabes aliados dos Estados Unidos divulgaram nota conjunta classificando como “inaceitáveis” os ataques iranianos contra seus territórios. O comunicado, citado pela emissora pan-árabe Al Jazeera, reforça o direito à autodefesa.
Assinam a declaração Arábia Saudita, Bahrein, Jordânia, Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos e os Estados Unidos. Em declaração atribuída ao Ministério das Relações Exteriores do Catar, os ataques iranianos “não podem ficar sem retaliação”.
As Forças de Defesa de Israel informaram que, desde o sábado (28), diversos integrantes da inteligência iraniana foram mortos. Entre os nomes citados está Sayed Yahya Hamidi, apontado como vice-ministro da Inteligência responsável por assuntos ligados a Israel, além de Jalal Pour Hossein, identificado como chefe da divisão de espionagem do Ministério da Inteligência.
Segundo o porta-voz militar israelense, documentos encontrados na Faixa de Gaza indicariam tentativas de articulação entre o Hezbollah, o Hamas e a Guarda Revolucionária iraniana para a criação de uma sala conjunta de operações de inteligência.
Do lado iraniano, comunicados oficiais confirmaram a morte de três membros da Guarda Revolucionária em um ataque na província de Lorestan, no oeste do país. Em ação separada, na cidade de Khorramabad, cinco militares do Exército iraniano também teriam sido mortos, de acordo com agências estatais.
O Ministério da Inteligência iraniano, citado por Israel, está sob sanções dos Estados Unidos há anos. Autoridades israelenses afirmam que o órgão é responsável tanto por operações externas quanto pelo monitoramento interno da população civil.
CENÁRIO DE TENSÃO
A sucessão no comando iraniano, as declarações de Washington e as reações dos países do Golfo indicam um momento de elevada tensão no Oriente Médio. Embora Trump tenha afirmado que Teerã ainda pode buscar um acordo, o discurso adotado nesta segunda-feira sinaliza que a crise pode se aprofundar antes de qualquer tentativa de negociação diplomática.























