A possível adoção de medidas antidumping sobre produtos siderúrgicos importados pode criar um ambiente favorável no curto prazo para as ações da Usiminas (USIM5), segundo avaliação da XP Investimentos. Apesar do potencial de valorização pontual, a instituição mantém postura cautelosa diante do cenário de demanda no mercado interno e do elevado nível de investimentos previsto para os próximos anos.
De acordo com a casa, a siderúrgica apresenta alta sensibilidade de resultados às variações nos preços do aço, o que cria uma “assimetria positiva” em momentos de recuperação do mercado. Mesmo assim, as projeções para o fluxo de caixa livre seguem pouco atrativas no médio prazo, em razão do ciclo de investimentos em curso.
Na manhã desta quarta-feira (21), por volta das 10h31, os papéis da Usiminas registravam queda de 2,36%, cotados a R$ 6,21. A XP lembra que, desde o fim de agosto do ano passado, as ações acumulam valorização próxima de 58%, impulsionadas por expectativas positivas para o setor de metais e pelo debate em torno de políticas de proteção à indústria siderúrgica no Brasil.
RISCO NA DEMANDA INTERNA
Apesar do desempenho recente, a instituição aponta que o principal fator de risco para 2026 é um ambiente de demanda mais fraco do que o esperado para os aços planos no mercado brasileiro. Esse cenário poderia pressionar o desempenho operacional da companhia, mesmo com múltiplos considerados baixos pelo mercado.
Atualmente, os papéis da Usiminas são negociados a um múltiplo estimado de EV/Ebitda de 3,3 vezes para 2026 e 2,6 vezes para 2027. Ainda assim, a XP mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 7.
AVANÇO NAS MEDIDAS DE DEFESA COMERCIAL
O relatório destaca que as discussões sobre a aplicação de medidas antidumping avançaram no início de 2026. As notas técnicas envolvendo produtos como aço pré-pintado, bobinas laminadas a frio (CRC) e aços galvanizados tiveram seus períodos de comentários encerrados, abrindo caminho para decisões finais por parte das autoridades.
Mesmo com eventuais atrasos no processo, o sentimento no setor segue positivo. A XP observa que mudanças na origem das importações, como a substituição de fornecedores chineses por sul-coreanos, podem reduzir parte do impacto esperado. Ainda assim, a avaliação é de que as medidas tendem a sustentar a recuperação de preços nas categorias afetadas e favorecer reajustes em outras linhas de produtos da Usiminas.
GESTÃO DE CUSTOS E EFICIÊNCIA
Outro ponto ressaltado é o foco da companhia na redução de custos desde 2024. Após a reforma do alto-forno BF#3, em Ipatinga (MG), a empresa apresentou cortes abaixo do que o mercado previa inicialmente, mas com efeitos positivos sobre a rentabilidade.
Com a queda nos preços das matérias-primas e a expectativa de novos ganhos de eficiência, a XP projeta que a melhora na estrutura de custos pode compensar, ao menos parcialmente, um cenário doméstico mais desafiador para o setor siderúrgico.























