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Chuva de meteoros terá até 120 ‘estrelas cadentes’ por hora no Brasil

O fenômeno pode ser visto a olho nu; veja como e onde

Cid Miranda por Cid Miranda
12 de dezembro de 2023
em Sem Categoria
Tempo de Leitura: 4 minutos de leitura
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Chuva de meteoros terá até 120 ‘estrelas cadentes’ por hora no Brasil

O auge das Geminídas acontece todos os anos no mês de dezembro (Foto: Pixabay)

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Nas noites de quarta e quinta-feira (14 e 15/12), deve ocorrer o pico da última chuva de meteoros visível no Brasil neste ano, a Geminídas. Nesse fenômeno, os meteoros entram velozes na atmosfera da Terra, rasgando o céu a uma velocidade de 260 mil km/h e aparecendo para nós como uma chuva de estrelas cadentes.

É uma das chuvas com maior taxa de meteoros por hora. O fenômeno pode ser visto a olho nu, dependendo das condições climáticas da região.


A Geminídas acontece uma vez por ano na Terra, sempre por volta de meados de dezembro. Isso porque é neste mês que normalmente nosso planeta, em sua trajetória ao redor do Sol, está cruzando a órbita do asteroide 3200 Phaeton, onde há milhares de pequenas rochas e destroços do asteroide no espaço.

Ao cruzar essa região, os detritos do asteroide entram na atmosfera da Terra. Se o céu estiver limpo, é possível ver até 120 “estrelas cadentes” por hora no céu, no momento de pico do fenômeno.

“Basta olhar na direção da constelação de Gêmeos. Nessa época do ano essa constelação é visível na direção nordeste a partir das 22h30 ou 23h, dependendo das condições do céu e do ponto de observação”, diz Roberto Costa, professor do Departamento de Astronomia da Universidade de São Paulo (USP).

Costa orienta que a constelação de Gêmeos estará um pouco mais a leste. “Ou seja, mais para a direção em que o sol nasce”, diz à BBC News Brasil.

O nome “Geminídas” vem justamente porque os meteoros parecem estar vindo da direção da constelação de Gêmeos.

DICAS PARA ASSISTIR AO FENÔMENO

A chuva de meteoros já começou, na verdade, e deve durar cerca de uma semana.

Mas o pico dela, quando ficará mais visível, será na noite de quinta-feira. Os especialistas, porém, apontam que será possível ter uma boa visão do fenômeno já na quarta.

Para assistir ao fenômeno, o ideal é estar em uma região bem escura, longe das luzes da cidade – e ter a sorte do céu estar limpo de nuvens. Deite, olhando para o céu, e dê aos seus olhos vários minutos para se acostumarem com a escuridão.

A previsão é de que o fenômeno possa ser observado com mais facilidade nas regiões Norte e Nordeste do país, diz a astrofísica Eliade Lima, professora da Universidade Federal do Pampa (Unipampa).

“A melhor visualização da chuva é em função da fase da lua e de onde a constelação (de Gêmeos) vai estar naquele momento do pico. Então quanto mais alta estiver a constelação de Gêmeos naquela noite, melhor será a visualização em um determinado lugar. Então em qualquer lugar com constelação de Gêmeos visível, será possível observar essa chuva”, diz Lima.

“Mas em função da constelação de Gêmeos estar melhor localizada naquele momento do pico (na região Norte e Nordeste), poderá ter uma melhor visualização”, acrescenta a astrofísica.

Apesar disso, Costa complementa que um fator muito importante para avistar o fenômeno é estar em um lugar sem iluminação artificial. “E obviamente, em uma noite sem nuvens”, declara o professor, que aconselha que as pessoas não busquem lugares arriscados para acompanhar o fenômeno.

Os especialistas frisam que há aplicativos nos quais é possível apontar o celular em direção ao céu e descobrir a direção da constelação de Gêmeos ou da chuva de meteoros em si.

Um dos possíveis problemas para avistar o fenômeno é a condição da lua na data em que ele ocorre. Mas neste ano, diz Costa, isso não deverá ser um problema.

“A fase da Lua é bem importante sim. Se estivesse próxima da Cheia o fundo do céu ficaria mais claro e o contraste dos meteoros pioraria muito. Mas neste caso estamos quase na Lua Nova (amanhã à noite é a Nova), então a lua não vai atrapalhar”, explica.

Meteoro, meteorito, asteroide, cometa: qual a diferença?

Um meteoro é a “trilha brilhante” deixada por uma rocha espacial que entra em combustão e vaporiza após atingir a atmosfera da Terra, segundo o especialista da NASA Bill Cooke.

Os objetos em si são os meteoroides, ou seja, pedaços de rocha ou gelo que se separaram de um asteroide ou cometa.

Quando eles sobrevivem à viagem pela atmosfera terreste e atingem o chão, ficam conhecidos como meteoritos.

Já os asteroides são grandes pedaços de rocha que flutuam no espaço e orbitam ao redor do Sol. Os cometas também são objetos que orbitam o Sol, mas são feitos de gelo e poeira, não rochas.

O que é uma chuva de meteoros?

Uma chuva de meteoros acontece simplesmente quando o número deles aumenta muito.

Eles ocorrem em intervalos regulares porque correspondem a momentos em que a Terra passa por rotas de “lixo” espacial.

As Perseidas são a chuva mais famosa, accontecendo em agosto anualmente. Cada meteoro que as compõem são um pequeno pedaço do cometa Swift-Tuttle.

Já o famoso cometa Halley é responsável tanto pelas chuvas Eta Aquáridas quanto Oriônidas.

Mas as Geminídas, em meados de dezembro, são consideradas uma das chuvas mais fortes e passíveis de observação, com luzes brilhantes e intensas — por isso um dos principais eventos do tipo no calendário espacial.

Com que frequência meteoros atingem a Terra?

Todos os dias, a Terra é bombardeada com uma grande quantidade – entre 100 e 300 toneladas – de poeira espacial e objetos pequenos, menores do que um grão de areia, segundo a NASA. Estes pequenos objetos são chamados de meteoroides.

A agência especial americana também estima que cerca de outras 44 toneladas de meteoroides caiam na Terra todos os dias.

Cerca de uma vez por ano, um meteoro do tamanho de um carro entra na atmosfera, criando uma “bola de fogo” impressionante, mas que queima e vaporiza antes de chegar à superfície.

E a cada 2 mil anos, mais ou menos, um meteoro do tamanho de um campo de futebol atinge a Terra e causa danos.

*Com informações da BBC News Brasil
Tag: atmosferachuva de meteorosestrela cadenteGeminídas
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