Empreender vai muito além de ter força de vontade, montar um bom negócio ou contar capital à disposição. Dados mais recentes do IBGE sobre demografia e estatísticas das empresas mostram que cerca de seis a cada dez empresas que nascem no Brasil não conseguem sobreviver após cinco anos. Em todo o país, 62,1% das empresas nascidas em 2017 já haviam encerrado as atividades cinco anos depois.
Para o Sebrae, a causa não é econômica. É de gestão. 48% das micro e pequenas empresas que fecham no país têm como causa direta a falta de planejamento financeiro e o descontrole de caixa.
No Leste de Minas, o cenário tem contornos próprios. O Panorama Prudem, diagnóstico inédito realizado pela Prudem Escola de Negócios, de Ipatinga, com 700 empresas da região nos últimos dois anos, mostra que 80% dos empresários locais passam mais da metade do dia útil em tarefas operacionais. O dado dialoga com pesquisa nacional da Fundação Dom Cabral, que apontou em 2025 que 78% dos pequenos empresários brasileiros trabalham mais de 50 horas semanais.
“O empresariado mineiro tem cultura forte de trabalho duro, mas pouco método”, afirma João Paulo Cardoso, CEO da Prudem. “Não falta esforço. Falta sistema. E sem sistema, o crescimento bate em um teto invisível que ninguém consegue romper sozinho.”
O CONTRASTE DO MÉTODO
O Panorama Prudem também mediu o que acontece quando o empresário substitui o esforço por gestão estruturada. Antes do método, os empresários acompanhados dedicavam, em média, 50% do tempo ao operacional, 30% ao tático e 20% ao estratégico. Após dois anos, esses números se invertem: 20% operacional, 30% tático e 50% estratégico.
A inversão coincide com saltos de faturamento mensuráveis. O ecossistema de mentoria da escola, o XBP, reúne 200 empresários ativos em 25 cidades do Leste de Minas, com faturamento conjunto superior a R$ 1 bilhão por ano. Entre os casos documentados estão empresas pequenas e médias, e dos mais diversos segmentos, como construção civil, logística, eventos, varejo, alimentação, seguros, entre outras.
“O empresariado do Leste de Minas tem chances reais de viver um próximo ciclo de crescimento e de gestão organizada de forma muito mais saudável”, diz João Paulo. “Mas isso depende de uma virada cultural. A nova economia da região não vai ser feita pelo empresário que trabalha mais. Vai ser feita pelo empresário que decide diferente.”
ECONOMIA REGIONAL EM TRANSFORMAÇÃO
O estudo também mapeou a transformação do tecido empresarial da região. Historicamente dependente da siderurgia, o Leste de Minas viu surgir nos últimos dez anos uma economia paralela em serviços e comércio estruturado.
Em abril de 2026, 25 empresários da região participaram da primeira Expedição Internacional organizada pela Prudem, com 12 dias de imersão em empresas como JD.com, Xiaomi, Alibaba e NIO, na China. A iniciativa, além de ampliar oportunidades de negócios para o Vale do Aço, coincidiu com debates nacionais sobre a competitividade das PMEs brasileiras frente à indústria chinesa, intensificados após a discussão da Taxa das Blusinhas no Congresso. Uma nova edição da Expedição está prevista para setembro de 2026.

























