Por Mário Plaka (*)
Há quem queira apagar a memória nacional como quem passa cal em muro velho. Mas o tempo — esse juiz silencioso — não absolve ninguém. E quando a gente puxa a linha do passado, fica claro por que tantos hoje tremem diante dela.
Houve um período, lá atrás, sob os generais, em que o Brasil, com todos os seus defeitos, não era esse pardieiro moral que vemos agora. Escândalo não era rotina, víscera não era manchete, e tampouco se via essa engenharia estatal montada para proteger criminosos enquanto o cidadão honesto carrega o peso nas costas. Cada governo daquela época tinha responsabilidade, tinha norte, tinha freio — coisa rara hoje.
Aí veio a transição, a redemocratização, os novos donos do poder. E com eles, a avalanche: escândalo atrás de escândalo, rombo atrás de rombo, discursos de honestidade embalando práticas que fariam corar até os mais cínicos. A verdade é que, ao longo dos anos, muitos transformaram a República em uma feira livre de interesses, cada qual vendendo sua moral por quilo.
Mas nada, absolutamente nada, se compara ao que se viu quando o poder caiu nas mãos daqueles que hoje mandam e desmandam. A cada dia, um odor político novo; a cada semana, uma víscera institucional aberta; a cada mês, uma fala tola escorrendo arrogância e desprezo contra trabalhadores, mulheres, idosos, policiais, empresários, pobres, qualquer um que não se ajoelhe diante da narrativa oficial.
E quando o governo mudou de mãos, quando Bolsonaro assumiu, goste ou não dele, aconteceu o que mais incomoda essa gente: não encontraram o que queriam encontrar. Procuraram corrupção como quem procura ouro em leito seco. Cavaram, remexeram, reviraram, vasculharam. E nada. Nada que pudesse virar manchete planejada ou escândalo sob encomenda.
Pois é justamente por isso que hoje tentam empurrar no colo da antiga gestão tudo o que explode na cara do país. Porque, se não conseguem provar, ao menos tentam repetir. É a lógica da mentira política: quando o fato não ajuda, inventa-se a versão.
Enquanto isso, o povo sofre. Não é conceito, é paisagem.
Mendicância explodindo, velhos sendo triturados pelo sistema, pensionistas sem amparo, estatais que viraram ruínas de má gestão e famílias inteiras empurradas para a rua e projetos sociais transformados em promessas vazias.
E, como se não bastasse, ainda têm a audácia de culpar terceiros por aquilo que eles próprios produziram.
A imprensa comprada, não toda, mas a parte barulhenta, cumpre seu papel: proteger o indefensável, dourar a lama, maquiar a podridão. Quando defendem esse governo, defendem a si mesmos. Porque os iguais se defendem. Sempre foi assim na política: afinidade não nasce de valores, nasce de conveniências.
E é por isso que eu digo, repito e bato nessa tecla: puxe a capivara de quem defende esse governo, puxe com calma, mas puxe.
Ali você vai entender quem é quem, e por que tanta gente se irrita quando a verdade chega perto demais do rabo deles.
O tempo pode tentar apagar, a narrativa pode tentar esconder e os discursos podem tentar confundir. Mas a história, essa sim, não se dobra.
E a verdade, ah… A verdade é faca.
E facas, quando bem afiadas, cortam silenciosamente, mas deixam marcas que jamais cicatrizam.























