Hora ou outra dizem que eu tenho o cérebro na ponta da língua. Hoje eu entendo: não é arrogância, é urgência. É ver o fato, ligar os pontos e responder sem rodeio. Porque o Brasil não aguenta mais floreio. Aguenta verdade.
O que estamos assistindo na política e no judiciário não é apenas uma crise institucional — é a normalização do absurdo. O parlamento fala, vota, decide, e logo depois alguém de toga aperta a tecla “anular”. Não é diálogo entre Poderes; é sobreposição. Não é equilíbrio; é imposição. A Constituição virou peça de consulta seletiva: usa-se quando convém, ignora-se quando atrapalha.
Na política, o script é velho: promessas em série, cofres em déficit, impostos em alta. O discurso é social, o custo é individual. Paga o trabalhador, paga o pequeno empresário, paga quem não tem lobby nem gabinete. Enquanto isso, a máquina cresce, viaja, gasta, se blinda. O país real aperta o cinto; o Estado afrouxa o dele.
No judiciário, a exceção virou método. A cautela virou espetáculo. A caneta, que deveria proteger direitos, passou a ditar rumos políticos. Decisões monocráticas substituem debates coletivos. O devido processo vira detalhe. E quem questiona é carimbado, não respondido. Quando a crítica é tratada como afronta, algo está profundamente fora do lugar.
Não se trata de defender A ou atacar B. Trata-se de regra do jogo. Democracia não é silêncio obediente; é limite claro. Autoridade não é poder sem freio; é responsabilidade. Lei não é instrumento de ocasião; é garantia permanente.
O brasileiro percebe. Pode não dominar o juridiquês, mas sente no bolso, no posto de saúde, na escola, na segurança pública. Sente quando o voto pesa menos que a caneta. Sente quando a promessa vira imposto. Sente quando a exceção vira rotina.
E agora vem a parte que incomoda.
E quanto a você, eleitor: se respeite; porque quem não se respeita, não merece respeito. E é exatamente por isso que muitos políticos fazem o que fazem com o eleitor brasileiro. Eles testam limites. E quando não encontram reação, avançam.
Ano que vem tem eleição. E eleição não é favor, é responsabilidade. É hora de você se respeitar, respeitar sua família, respeitar seu trabalho, respeitar sua vida. Caso contrário, eles não vão lhe respeitar — e você será a próxima vítima do sistema que hoje finge não ver.
Vote certo. Vote em quem possa lhe representar de fato. Porque os que estão lá representam apenas quem é igual a eles. E eu acredito que você não é igual aos que ocupam o Senado, a Câmara Federal, as Assembleias Legislativas e muitas Câmaras de Vereadores espalhadas pelo país.
Acredito que você ainda tem cérebro. E mais: ainda pode pensar. E além de pensar, coloque o pensamento na ponta da língua. Não aceite o que estão enfiando na sua cabeça. Não aceite a vida que estão obrigando você a viver.
“É hora de lutar. Ousar lutar. Ousar vencer”. Esse é o lema que precisamos assumir para virar esse jogo e sair da crise total que estamos vivenciando e vivendo.
(*) Mário Placa é sócio fundador da Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e filiados (Ajoia-Brasil)























