Por Mário Plaka (*)
O brasileiro já acorda pagando imposto. Paga IPVA, pedágio, paga imposto no combustível, na comida, na luz, na água e por aí vai. Quando sai de casa, já saiu devendo.
Aí você pega a estrada, paga pedágio caro. Chega na cidade e… surpresa: se não pagar o flanelinha, seu carro corre uma série de riscos, como furto e outras avarias.
A cobrança informal para “vigiar” veículos estacionados em vias públicas, prática popularmente associada aos flanelinhas, tem se tornado alvo de críticas em diversas cidades do país. Motoristas relatam constrangimento, sensação de insegurança e omissão do poder público diante de uma atividade considerada irregular
Isso tem nome: extorsão. E acontece todo santo dia, à luz do dia, debaixo do nariz do poder público.
A RUA VIROU TERRA DE NINGUÉM — OU DE ALGUNS?
Ruas e vagas de estacionamento são bens públicos, administrados pelos municípios. No entanto, em muitos centros urbanos, esse espaço tem sido ocupado de forma informal por pessoas que exigem pagamento para “cuidar” dos veículos, mesmo sem autorização legal. Embora a cobrança não seja oficial, motoristas afirmam que a recusa em pagar pode resultar em danos ao carro ou em risco de furto, o que caracteriza uma relação de intimidação.
E a pergunta que não quer calar: Cadê a segurança pública? Cadê os guardas municipais? Cadê a prefeitura? Cadê os vereadores que adoram discurso bonito?
A guarda municipal aparece pra quê? Pra perseguir ambulante. Pra tomar mercadoria de trabalhador humilde. Pra derrubar carrinho de quem tá vendendo fruta, doce, lanche, artesanato.
Agora, pra retomar as ruas, pra proteger o cidadão, pra enfrentar vandalismo e extorsão, aí some todo mundo.
DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS
O trabalhador ambulante, produz, trabalha, corre atrás do pão de cada dia, e o resultado? Fiscalização truculenta, mercadoria apreendida, além da humilhação.
O flanelinha irregular, ocupa espaço público, cobra o que quer, ameaça, danifica carro, e o resultado? Nada. Absolutamente nada.
Isso não é justiça. Isso não é ordem. Isso é abandono do cidadão.
GUARDA MUNICIPAL NÃO É ENFEITE
De acordo com a legislação, cabe à guarda municipal a proteção do patrimônio público e a colaboração na manutenção da ordem. Já às prefeituras compete organizar o uso do espaço urbano, fiscalizar atividades irregulares e garantir que áreas públicas cumpram sua função social.
A ausência de medidas efetivas para coibir cobranças informais por estacionamento reforça a percepção de abandono por parte do cidadão, que já enfrenta uma elevada carga tributária e custos relacionados ao uso do veículo, como impostos, combustível e pedágios.
E a fiscalização da prefeitura tem dever, sim, dever legal, de retomar as ruas e devolver para quem paga imposto.
Rua não é curral. Vaga não é pedágio paralelo. Cidadão não é refém.
AGORA É COM VOCÊ, CIDADÃO
Chega de reclamar só na padaria, chega de reclamar só no WhatsApp, chega de reclamar só na esquina.
Cobre seu vereador, cobre seu prefeito, cobre os secretários, cobre a administração. Eles foram eleitos pra resolver problema, não pra empurrar com a barriga.
Quem paga imposto tem direito. Quem trabalha honestamente tem que ser respeitado e quem extorque, vandaliza e ameaça não pode mandar na rua.
OU O POVO TOMA CONTA, OU CONTINUA SENDO PASSADO PRA TRÁS
Enquanto o povo ficar na arquibancada, o abuso continua.
Enquanto o povo aceitar, a exploração cresce.
Enquanto ninguém cobra, nada muda.
Chega. É hora de retomar as ruas. É hora de colocar esse país a limpo, começando pela cidade.
É hora de o poder público escolher: ou fica do lado do cidadão, ou vai ser cobrado.
Porque o povo paga demais. E já aguentou demais!























