Por Mário Plaka (*)
Eu não critico governo por ser de esquerda, de direita ou de centro. Minhas críticas nunca são ideológicas. Pelo contrário, reconheço que a Constituição Federal foi concebida para estruturar um Estado progressivo, democrático e capaz de responder às necessidades de um país de dimensão continental como o Brasil. Ela foi criada para que o Legislativo — um colegiado de representantes — trabalhe elaborando leis, garantindo equilíbrio entre os Poderes e impulsionando o desenvolvimento da nação.
Quando o Parlamento é formado por pessoas capacitadas, preparadas e comprometidas com o bem comum, ele não atua guiado por bandeiras partidárias. Atua guiado pelo que é justo, correto e verdadeiro. Dessa postura nascem os debates sérios, o fortalecimento das instituições e o aperfeiçoamento das ações do Executivo, do Legislativo e também do Judiciário.
As críticas que faço, quando necessárias, se direcionam principalmente ao Executivo e ao Legislativo. Porque se outros Poderes passam a tomar decisões que constitucionalmente pertencem ao Parlamento, isso revela apenas uma realidade: o colegiado se tornou inoperante. Incapaz. Despreparado para cumprir a função que a Constituição lhe atribuiu.
E aqui está o ponto central: a responsabilidade por essa falência é do eleitor.
A escolha feita nas urnas, na maioria das vezes, nasce de uma corrupção generalizada que se instalou no país. Muitos brasileiros se tornaram, ao mesmo tempo, corruptos e corruptores. O que vemos dentro do Congresso e do Executivo é apenas o reflexo direto da sociedade que os elegeu. Nenhum daqueles homens e mulheres veio de outro planeta; todos vieram das mesmas estruturas familiares, sociais e culturais que moldam o povo aqui embaixo.
Quando há compra e venda dentro do Parlamento, quando há negociatas escancaradas, elas só existem porque aqueles que estão lá foram formados nas mesmas bases — ou desbases — com as quais convivemos todos os dias. O cavaco não cai longe da árvore: o político é o retrato fiel do eleitor.
É só observar os assessores de gabinete, as pessoas que circulam nos corredores do poder, os que defendem seus candidatos nas ruas e redes sociais. Em muitos casos, são indivíduos que se venderam por pouco: uma promessa de emprego, um favor, um envelope de dinheiro, um auxílio momentâneo. E, nessa troca irresponsável, não pensaram no futuro da sua própria família, nem no futuro da nação.
Passado o período eleitoral, o ciclo se repete: o cidadão volta à mesma vida limitada, às mesmas dificuldades, e muitas vezes ainda tem coragem de falar mal do político que ajudou a eleger em troca de migalhas.
Simples assim. Os eleitos refletem os eleitores. E o Brasil paga, dia após dia, o preço dessa escolha inconsequente.























