Por Mário Plaka (*)
Os ratos sempre abandonam o navio quando percebem que ele está afundando. Nunca quando está estável — só quando o casco abre, a água sobe e o desespero bate. E, na fuga, se agarram a qualquer coisa que flutue: tábua podre, pedaço de mastro, boia furada ou até o primeiro discurso conveniente que apareça.
É o instinto de quem nunca teve honra, apenas sobrevivência. E o Brasil está assistindo exatamente essa cena.
De repente, vários veículos de comunicação — jornais, TVs, rádios, sites, colunistas e comentaristas — começam a “sair de fininho” daquilo que defenderam com unhas, dentes e microfones durante anos. Agora tentam se afastar do ambiente que eles próprios ajudaram a construir.
Mas até outro dia, esses mesmos profissionais aplaudiam cada movimento, cada decisão monocrática questionável, cada ato de força, cada perseguição seletiva — inclusive contra colegas de imprensa. Eram guardiões fervorosos de um discurso único. Agora fingem surpresa, como se não tivessem responsabilidade alguma no naufrágio institucional.
O problema é que o público não é amnésico.
Quando viram que o buraco era mais embaixo — e que a confiança do povo secou — começou o espetáculo da fuga desesperada. Uns saltam do barco como quem abandona embarcação condenada. Outros se engalfinham entre si, perdidos, sem saber qual narrativa seguir porque o script envelheceu.
Há aqueles que tentam suavizar o tom, falar “com mais equilíbrio”, como se maquiagem de última hora resolvesse anos de omissão e militância travestida de jornalismo. É o padrão clássico: quando o castelo rui, ninguém admite ter carregado os tijolos.
E o que faz parte da grande mídia agora? Divide-se. Uma ala tenta amenizar os fatos. Outra tenta suavizar para não perder patrocinador.
E a fração mais resistente ainda repete o velho discurso, simplesmente porque depende dele para sobreviver.
Mas todos sabem: a conta chega para todos, sem exceção. É aí que precisamos ficar atentos.
Mesmo quando esses profissionais começarem a dizer coisas que nos agradam, precisamos lembrar:
Não é redenção — é cálculo.
Não é autocrítica — é pânico.
Não é compromisso com a verdade — é tentativa de sobrevivência institucional.
A verdade é simples: não se pode confiar na súbita sobriedade de quem ajudou a incendiar o país e agora finge que não cheirou fumaça.
Os abutres políticos e midiáticos que se alimentaram do caos agora tentam pousar em terrenos mais seguros, buscando justificar o injustificável, ensaiando discursos de “reequilíbrio” e “reavaliação”.
Mas a cova que cavaram — com arrogância, soberba e servilismo — continua aberta. E é nela que cairão, porque credibilidade perdida não retorna com um editorial tímido.
Rato, quando troca de barco, não vira marinheiro.
Vira apenas rato com discurso novo.























