Por Mário Plaka (*)
A Lei da Segurança Nacional pode ter sido revogada, reformulada, renomeada, substituída por categorias mais modernas – mas o princípio que ela carregava, esse permanece intocável: a soberania de um país é dever de guarda de todos os brasileiros, não apenas dos ocupantes temporários de cargos públicos.
Soberania não é um enfeite jurídico; é o alicerce que impede um povo inteiro de ser jogado à deriva quando o tabuleiro geopolítico pega fogo. Quando a soberania é violada, o risco imediato não é abstrato — ele cai direto sobre a cabeça do cidadão comum, que paga o preço enquanto os donos do poder embarcam em aviões confortáveis rumo a seus paraísos fiscais.
E por que cito isso? Porque há um rumor, não sei se real, se manipulado, se cortina de fumaça ou se engenharia de distração, sobre uma possível fuga de Nicolás Maduro para o Brasil. E rumor, em política internacional, não é fofoca: é um sinal de alerta. Ou o Brasil discerne, ou será engolido.
Não se trata aqui de acreditar ou não acreditar. Trata-se de responsabilidade nacional. E responsabilidade se traduz em uma pergunta simples:
“Se houver qualquer possibilidade de que isso seja verdade, estamos preparados? As autoridades estão preparadas? A população está informada? Ou estamos, mais uma vez, sendo conduzidos ao escuro?”
Porque o que se vê na Venezuela, na Bolívia, em regimes que flertam com autoritarismo e caos, não é novidade histórica. Quando os países entram em colapso, os “comandantes iluminados” fogem primeiro, cheios de dinheiro e escolta.
Quem fica? O povo. Sempre o povo. Desarmado, desassistido, usado como barricada humana.
Por isso, não quero ver vídeos indignados de deputados, senadores, ministros e afins. Quero ação. Quadro jurídico. Providência institucional. Fiscalização real.
Quero ver o Congresso Nacional cumprindo seu papel constitucional; quero ver o STF exigindo garantias; quero ver as Forças Armadas prestando contas sobre movimentos na fronteira; quero ver governadores – especialmente de Roraima – informando a população de cada passo tomado.
Não dá para brincar com um assunto que envolve soberania, fronteira, inteligência internacional e risco de retaliação externa. E há um detalhe que ninguém menciona; se esse cidadão – de forma hipotética ou não – estiver em território nacional, há uma recompensa internacional colocada sobre ele.
Isso significa o quê?
Que qualquer aventureiro, qualquer informante, qualquer desesperado pode tentar agir por conta própria e acabar morto. Significa que cidadãos inocentes podem virar dano colateral. Significa que o Brasil pode ser, sem perceber, arrastado para um conflito que não é seu.
Essa possibilidade já é suficiente para exigir transparência total. Não quero o Brasil como depósito de líderes fugitivos. Não quero o povo brasileiro usado como escudo para crises que não nascemos para carregar. Não quero essa nação transformada em palco improvisado de disputas entre potências estrangeiras.
Chega! Soberania não é slogan. É defesa. É vigilância. É limite.
E se as autoridades não querem fazer seu trabalho, então cabe à imprensa independente, aos analistas sérios, aos cidadãos atentos, colocar o holofote onde a grande mídia prefere deixar a névoa.
Porque se isso tudo for mentira, ótimo: o editorial vira alerta preventivo. Mas se for verdade — e ninguém disser nada — o silêncio terá sido a maior traição do nosso tempo.























