Dois episódios de comunicação geraram forte reação nas redes sociais neste final de semana, mobilizando políticos e resultando em medidas judiciais. No setor privado, a Havaianas enfrenta críticas por uma campanha interpretada como ideológica; no setor público, o Governo Lula retirou do ar uma peça publicitária após acusações de conteúdo inapropriado.
Pressão sobre a Havaianas
A nova campanha da Havaianas tornou-se centro de um debate político após usuários associarem a expressão “pé direito”, utilizada nas peças, a um recado indireto ao espectro conservador. A reação foi imediata entre parlamentares da oposição.
O vereador Gilson Machado Filho (PL) declarou que começará 2026 com o “pé direito” em outra marca, enquanto o deputado federal Luiz Lima (PL) reforçou que “consumo também é escolha”. O movimento resultou em convocações de boicote por internautas identificados com a direita.
Para especialistas em marketing digital, o episódio acende um alerta para o risco de marcas se posicionarem em anos pré-eleitorais. “Campanhas de grandes marcas devem buscar diálogo amplo. Ações percebidas como voltadas ‘para um lado só’ tendem a gerar desgaste desnecessário”, avalia. Até o fechamento desta edição, a Havaianas não havia se manifestado oficialmente.
Governo vira alvo do MPF
Na esfera governamental, o perfil oficial Gov.br apagou, entre sábado (20) e domingo, uma publicação que mostrava adolescentes realizando uma coreografia de cunho erótico. O vídeo, postado originalmente na sexta-feira (19) no X (antigo Twitter), trazia a legenda: “Natal chegando e a gente tá como por aqui? Só pensando em mais realizações para o povo brasileiro”.
A repercussão negativa levou o Partido Missão a protocolar uma representação no Ministério Público Federal (MPF). O documento, assinado pelo presidente da sigla e fundador do MBL, Renan Santos, alega violação ao artigo 227 da Constituição Federal e a normas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que determinam a proteção de menores contra a exploração.
Acusação de propaganda antecipada
Além do conteúdo do vídeo, a representação pede a apuração de responsabilidade civil da União por dano coletivo. Renan Santos argumenta ainda que o governo tem intensificado a publicidade institucional de forma irregular. Segundo o texto enviado ao MPF, as peças estariam sendo convertidas em instrumentos de promoção política pessoal, o que configuraria antecipação de campanha eleitoral para a reeleição do presidente Lula em 2026.























