O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), planeja articular um indulto humanitário ou um projeto de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro com o objetivo de obter o apoio de parlamentares da direita para se reeleger ao comando da Casa em 2027.
A manobra legislativa, divulgada inicialmente pela Folha de S.Paulo com base em relatos de parlamentares próximos ao senador, também procura diminuir as pressões pela abertura de processos de impeachment contra magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF), em especial contra o ministro Alexandre de Moraes, que relatou a ação penal na qual Bolsonaro foi sentenciado por tentativa de golpe de Estado.
Segundo as fontes citadas, Alcolumbre aguardará a estabilização do cenário pós-eleitoral para apresentar formalmente a demanda por um indulto humanitário ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, autoridade competente para conceder a medida. Os dois conversaram no início da semana após a apuração das eleições presidenciais, mas o assunto não foi tratado na ocasião. Além disso, a estratégia levará em conta os recentes desdobramentos decorrentes da ida do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos.
Caso o Poder Executivo rejeite o pedido de indulto, o plano alternativo de Alcolumbre consiste em impulsionar uma proposta de anistia no Congresso Nacional. A opção exigiria negociação direta com a base governista para impedir vetos ou forte obstrução ao texto. Na atual legislatura, o Senado aprovou regras de dosimetria para reduzir penalidades aplicadas aos envolvidos nos eventos de 8 de janeiro de 2023, legislação que se encontra suspensa aguardando julgamento definitivo sobre sua constitucionalidade pelo pleno do STF.
Para viabilizar o acordo pela presidência em 2027, o senador espera que parlamentares oposicionistas recuem dos pedidos de cassação de ministros da Suprema Corte e direcionem o debate para discussões de reformas institucionais no Judiciário. A bancada conservadora assumirá papel de destaque no Senado com a nova legislatura, e Alcolumbre enfrentará a concorrência declarada de nomes como Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) pelo comando legislativo.























