Mensagens apreendidas pela Polícia Federal no telefone celular do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, passaram a integrar uma das principais frentes de investigação da Operação Compliance Zero. Os diálogos citam o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, em conversas relacionadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à base aliada do governo.
Segundo informações divulgadas inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e reproduzidas por diversos veículos, entre eles a Folha de S.Paulo, as mensagens indicam que Vorcaro considerava positiva a associação do banco ao governo federal.
Em uma das conversas, ele teria escrito: “Isso aí é marketing para nós. Manda para o Lula, para a base aliada.”
Em seguida, seu interlocutor respondeu: “Vou mandar então pro tio Guiga e Jaques”, referência que a Polícia Federal atribui ao publicitário Guilherme Sodré Martins, conhecido como Guiga, e ao senador Jaques Wagner.
A análise do aparelho celular levou os investigadores a apontarem uma suposta proximidade entre Vorcaro e pessoas com influência política na Bahia. De acordo com a investigação, o empresário mantinha contato frequente com Wagner e teria participado de encontros com o senador, além de possuir acesso direto ao seu telefone. A PF sustenta que os elementos reunidos justificaram o aprofundamento das apurações sobre a relação entre ambos.
Na última fase da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra Jaques Wagner. A investigação apura suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro ligadas ao Banco Master e ao empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro. A decisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Documentos da investigação indicam suspeitas sobre a aquisição de um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões, além de pagamentos milionários destinados a empresa ligada à família do senador. A Polícia Federal também investiga se Wagner teria atuado em pautas de interesse do Banco Master, como propostas sobre crédito consignado e regras do Fundo Garantidor de Créditos.
O senador nega qualquer irregularidade. Em declarações à imprensa, afirmou não ter recebido recursos de Daniel Vorcaro ou do Banco Master e disse que não pode ser responsabilizado por conversas de terceiros nas quais não participou. Wagner também declarou que sua relação com Vorcaro foi praticamente inexistente e que encontrou o empresário apenas duas vezes.
A Folha de S.Paulo destacou que Jaques Wagner afirma não ser réu, não ter sido denunciado e tampouco acusado formalmente no âmbito da investigação. O jornal também registra que a operação busca esclarecer suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo pessoas ligadas ao Banco Master e seus ex-controladores.
Já a agência Reuters informou que a investigação atingiu pela primeira vez um dos principais aliados políticos do presidente Lula. A reportagem ressalta que a decisão do Supremo autorizou buscas diante de indícios suficientes para aprofundar a investigação, mas não representa denúncia criminal ou condenação.
O caso segue sob apuração da Polícia Federal e supervisão do Supremo Tribunal Federal. Até o momento, não houve oferecimento de denúncia ou decisão judicial definitiva envolvendo os fatos investigados.























