Por Mário Plaka (*)
Há aproximadamente cinco anos e meio, seis anos, durante um momento de oração, tive uma percepção muito forte: os anos seguintes seriam anos de grandes revelações. O Brasil e o mundo viveriam acontecimentos nos quais seria impossível a Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada, deixar de se cumprir.
Dentro do que está escrito, nada ficará encoberto. Tudo será revelado. Compreendi, no entanto, que essa revelação não estaria limitada à manifestação de Cristo em glória, mas seria também uma exposição muito mais ampla do comportamento humano.
Filhos se revelariam aos pais, pais aos filhos, maridos às esposas, esposas aos maridos, autoridades aos seus subordinados e líderes aos seus liderados. As pessoas começariam a enxergar quem realmente estava diante delas.
Não seria necessário um dom espiritual específico para perceber determinadas contradições: as atitudes, as expressões, as companhias, os discursos e os comportamentos falariam por si.
A hipocrisia perderia o controle, e aquilo que durante anos permaneceu oculto começaria a aparecer, inclusive nos púlpitos das igrejas, nos palanques políticos e nos corredores do poder.
Hoje, continuo orando — como faço pelo menos três vezes por semana — especificamente pelo Brasil, pelas autoridades e pelas famílias. Autoridade não reside apenas nos palácios, nos governos ou nas instituições religiosas.
Existe autoridade no lar, na relação entre pais e filhos, entre patrões e empregados, e em todos os espaços onde alguém recebe a responsabilidade de liderar. Deus entrega dons e talentos a cada pessoa, e cada um tem sua missão e sua responsabilidade.
Nesta manhã, durante minha oração, lembrei-me do meu aniversário, em 25 de outubro. Disse ao Senhor que esperava receber um grande presente com a vitória daqueles a quem apoio.
Diante do cenário vivido no Brasil, minha oração foi simples: “Senhor, está aí o Brasil, e nós não estamos entendendo nada!”
Foi então que retomei àquela percepção de anos atrás: Deus estaria destampando os porões, expondo o fosso e permitindo que as pessoas enxergassem os entrelaçamentos, as conivências, as contradições e até mesmo aqueles que acabam traindo os próprios princípios.
O que aconteceu no primeiro e no segundo turno, nas cidades, dentro dos lares e nas relações entre pessoas que diziam defender uma causa, mas agiram de forma oposta, faz parte dessa reflexão. O fato de muitos não quererem ver não anula a realidade diante dos próprios olhos.
A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, dentro dessa minha compreensão, também decorreu de uma permissão divina para que o mundo pudesse enxergar a dimensão do que está acontecendo. Se determinados sistemas conseguem produzir tais desdobramentos na Europa, na África e em um país continental como o Brasil, o que não fariam em nações menores? O mundo assiste a tudo, e ninguém deveria fingir desconhecimento.
Não falo estritamente de religião, nem atribuo cada acontecimento a disputas espirituais, como alguns líderes religiosos insistem em fazer. Falo também de conduta humana, responsabilidade, caráter e verdade.
O pai precisa agir como pai; o filho precisa compreender seu papel de filho; o marido precisa honrar sua condição conjugal; a esposa precisa ter clareza de suas responsabilidades; o trabalhador precisa zelar por seu ofício, assim como o empregador deve assumir seus deveres com retidão.
Nem toda decisão profissional configura perseguição, nem toda consequência representa injustiça, e nem toda narrativa condiz com os fatos.
Torna-se indispensável parar, olhar para dentro e questionar: será que não ultrapassei os limites da minha responsabilidade? Será que minhas atitudes não revelaram aquilo que minhas palavras tentavam disfarçar? Ninguém é enganado quando os fatos estão escancarados; muitos simplesmente preferem não enxergar.
Fica aqui uma advertência: de Deus não se zomba. No dia 25 de outubro, percebi nessa sequência de fatos uma revelação muito mais profunda do que o presente que eu esperava. Acredito que ainda há muito a ser descortinado.
Ore, clame a Deus e peça discernimento. Como está escrito: “Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que não sabes” (Jeremias 33:3).
Os tempos atuais são de revelação. Resta a pergunta: você está disposto a enxergar aquilo que vem à tona ou continuará preferindo fechar os olhos?
(*) O analista político e cronista Mário Plaka é sócio fundador da Associação Brasileira de Jornalistas Independentes (AJOIA Brasil)























