A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) manifestou-se contra a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques, que suspendeu a divulgação de uma pesquisa eleitoral realizada pelo Instituto AtlasIntel. O levantamento avaliou os efeitos, junto ao eleitorado, da repercussão de um áudio envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Na manifestação apresentada ao TSE, a PGE sustenta que institutos de pesquisa podem abordar temas políticos considerados sensíveis ou de grande repercussão pública, desde que observem os critérios legais e metodológicos previstos para esse tipo de levantamento. O órgão também argumenta que a metodologia utilizada pela AtlasIntel não afronta as regras estabelecidas pela legislação eleitoral.
O posicionamento foi assinado pelo vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa. Segundo ele, a intervenção da Justiça Eleitoral em pesquisas de opinião deve ocorrer apenas em situações excepcionais. A manifestação afirma ainda que não cabe ao Poder Judiciário interferir na definição dos critérios metodológicos ou nos temas abordados pelos institutos de pesquisa, desde que sejam observados os parâmetros legais vigentes.
A suspensão da pesquisa foi determinada por decisão liminar de Kássio Nunes Marques após pedido apresentado pelo Partido Liberal (PL). A legenda argumentou que parte das perguntas teria utilizado estímulos negativos relacionados ao caso envolvendo Daniel Vorcaro, podendo influenciar a percepção dos entrevistados sobre Flávio Bolsonaro.
O ministro entendeu que havia indícios de comprometimento da neutralidade metodológica do levantamento e determinou a retirada dos resultados dos canais oficiais do instituto.
A AtlasIntel contestou a acusação e informou que o áudio mencionado foi apresentado apenas ao final do questionário eletrônico, após os entrevistados já terem respondido às perguntas sobre intenção de voto. Segundo a empresa, essa sequência impede que o conteúdo reproduzido influencie os cenários eleitorais medidos anteriormente. O instituto também afirmou que utilizou fatos públicos e preservou a neutralidade técnica em toda a pesquisa.
De acordo com a manifestação da PGE, os entrevistados não podiam retornar às respostas anteriores após a reprodução do áudio. O órgão também observou que outros institutos de pesquisa realizaram questionamentos sobre o mesmo tema, ressaltando que a aferição da percepção do eleitorado sobre acontecimentos de relevância política faz parte da atividade regular das pesquisas de opinião.
O julgamento da liminar teve início no plenário do TSE em 9 de junho, mas foi interrompido após pedido de vista da ministra Estela Aranha. Até a conclusão da análise colegiada, permanece em vigor a decisão liminar que suspendeu a divulgação do levantamento.
A pesquisa AtlasIntel ouviu 5.032 eleitores entre os dias 13 e 18 de maio de 2026. Segundo o instituto, o levantamento possui margem de erro de um ponto percentual, nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06939/2026.























