Por Mário Plaka (*)
A conta não fecha. E agora é preciso ir além: para que tudo isso foi feito? Discursos são feitos, investigações são abertas, comissões são criadas, mas no momento final — quando o país espera respostas — o que se vê é o bloqueio da conclusão. Então a pergunta muda de tom: foi para investigar ou foi para encenar?
A CPMI do INSS não nasceu por acaso. Ela foi instaurada para investigar denúncias graves de fraudes contra aposentados e pensionistas, descontos indevidos e esquemas que atingiram diretamente idosos e pessoas vulneráveis. Era uma comissão que deveria proteger quem mais precisa, apurar responsabilidades e dar uma resposta clara à sociedade. Era para fazer justiça. Mas, no final, o relatório foi derrubado. E entre os votos contrários estão nomes como Alencar Santana, Humberto Costa, Jaques Wagner, Lindbergh Farias, Rogério Carvalho e Teresa Leitão, acompanhados por parlamentares de outros partidos do centro político. Se era para defender aposentados, por que impedir a conclusão? Se era para expor responsáveis, por que barrar o relatório?
A conta não fecha. Ou a investigação era necessária, ou tudo não passou de um roteiro previamente ensaiado.
A CPI do Crime Organizado nasce com um propósito ainda mais sensível. Ela existe para investigar a atuação de organizações criminosas, infiltrações em estruturas públicas e conexões que ameaçam diretamente a segurança da população.
Era uma comissão para enfrentar algo real, perigoso e crescente.
Era para proteger a sociedade.
Mas o final repete o mesmo padrão: o relatório é rejeitado por 6 votos a 4. Entre eles, nomes como Humberto Costa, Rogério Carvalho, Teresa Leitão, Beto Faro, Otto Alencar e Soraya Thronicke. Se o crime organizado é um problema real, por que impedir a conclusão?
Se há algo a ser combatido, por que parar no meio do caminho?
A conta não fecha.
Então surge a pergunta inevitável: para que serviu tudo isso?
As CPIs foram criadas para investigar ou para produzir espetáculo?
Foram abertas para buscar a verdade ou para alimentar narrativas?
Porque quando o resultado final é bloqueado, o que sobra não é justiça, é dúvida.
E dúvida, nesse nível, não é detalhe, é sintoma.
Nenhum desses nomes chegou lá sozinho. Deputados e senadores não se elegem por força própria. Eles não se sustentam sem uma base formada por prefeitos, vereadores, lideranças locais, estruturas políticas e, principalmente, o eleitor. São essas conexões que mantêm os mesmos nomes circulando, eleição após eleição.
Então é preciso dizer com todas as letras: não existe político forte sem eleitor que sustente. Se a conta não fecha lá em cima, é porque ela foi aberta aqui embaixo. Quem vota autoriza, quem aceita sustenta, quem repete fortalece.
Estamos em ano eleitoral, e este não é tempo de esquecer, é tempo de lembrar. Lembrar do que foi prometido, do que foi dito e, principalmente, do que foi feito.
Porque discurso pode convencer, mas voto revela.
E o voto nessas comissões revelou algo que não pode ser ignorado: a conta não fecha.
Se foi para investigar, por que não concluíram?
Se foi para proteger, por que interromperam?
Se foi sério, por que parece encenação? Essas não são perguntas de um lado ou de outro, são perguntas de quem ainda tenta entender.
E, no fim, tudo volta ao mesmo ponto: ou o eleitor assume a responsabilidade, ou continuará assistindo, eleição após eleição, ao mesmo roteiro se repetir. E, nesse caso, não será apenas a conta deles que não fecha. A sua também não.























